UE quer reequilibrar relação comercial com a China durante Cúpula

Após quatro anos sem se reunirem presencialmente, dirigentes da União Europeia e da China se encontram nesta quinta (7) e sexta-feira (8) em Pequim meio ao aumento de tensões geopolíticas. Mesmo assim, há grandes expectativas de que a reunião de Cúpula UE-China consiga resolver as disputas comerciais e ver as duas principais economias crescerem ainda mais.

Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Bruxelas

As relações entre a União Europeia e a China estão em uma encruzilhada devido as crescentes tensões políticas e disputas econômicas mal resolvidas. "Precisamos reconhecer que em um novo contexto global desafiador, tanto a UE quanto a China enfrentam adversidades políticoas e econômicas, e isso pode fazer com que nos afastemos", alertou recentemente um alto representante do executivo europeu.

A guerra na Ucrânia é um dos pontos de atrito entre os dois lados. A União Europeia quer que Pequim use a sua influência sobre a Rússia para pôr um fim ao conflito. Bruxelas também deve fazer um apelo para que o governo chinês apoie a Carta das Nações Unidas que defende a integridade territorial e soberania de um país.

Apesar do comércio bilateral ter alcançado um recorde de 865 bilhões de euros no ano passado, as relações UE-China se deterioraram bastante desde a pandemia de Covid-19, com a repressão do povo uigur, a posição ambígua de Pequim na guerra da Ucrânia, as contínuas tensões no estreito de Taiwan e as restrições comerciais.

Recentemente, o clima tenso aumentou ainda mais quando a Comissão Europeia anunciou um inquérito formal sobre os carros elétricos fabricados na China, que Bruxelas suspeita serem artificialmente mais baratos do que os seus concorrentes europeus, por causa de maciços subsídios estatais injetados por Pequim.

Reequilíbrio

No ano passado, a China foi o maior parceiro na importação de bens da União Europeia (20,8%) e o terceiro maior parceiro nas exportações de bens do bloco (9,0%). A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, pretendem reequilibrar as relações com Pequim, três semanas após o encontro EUA-China que permitiu o apaziguamento entre as duas potências mundiais.

Von der Leyen deve pedir ao presidente chinês Xi Jinping e ao primeiro-ministro do país, Li Qiang, que corrijam o modelo econômico que, a seu ver, é ineficiente e dispendioso para o Estado chinês. Se Pequim não atender aos pedidos europeus, medidas de salvaguarda serão tomadas. "Temos ferramentas para proteger nosso mercado", disse von der Leyen, ao afirmar a sua preferência por soluções negociadas.

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Desrespeito aos direitos humanos

A Human Rights Watch exortou os líderes da União Europeia a assumirem posições públicas firmes sobre as preocupações com direitos humanos em Pequim. "Os líderes da UE devem compreender que o aprofundamento do regime repressivo pelo governo chinês terá sérias implicações nas relações UE-China", afirmou o diretor da organização, Philippe Dam.

"Von der Leyen e Charles Michel deveriam abordar de frente as violações dos direitos humanos na China e deixar claro para o presidente Xi Jinping que não poderá haver negócios se a repressão continuar no país", ressaltou. Segundo a Human Rights Watch, há graves violações em Xinjiang contra o povo Uigur, no Tibet, em Hong Kong onde o governo chinês impôs uma lei de segurança nacional que restringe as liberdades no território.

A Human Watchs Rights e Anistia Internacional incitam a UE a pressionar pela libertação do livreiro Gui Minhai de Hong Kong, editor especializado em livros proibidos na China, do acadêmico uigure e laureado com o Prêmio Sakharov, Ilham Tohti, e do advogado chinês e ativista de direitos humanos,

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