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Em visita a São Paulo, ministro da Saúde anuncia R$ 6,4 mi para tratamento de viciados

Do UOL, em São Paulo

18/01/2012 13h43Atualizada em 18/01/2012 15h52

Em visita a São Paulo nesta quarta-feira (18), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o governo federal vai investir R$ 6,4 milhões em programas de tratamento de dependentes químicos na capital paulista. Esta é a primeira visita do ministro desde o começo da operação na cracolândia, na região central de São Paulo.

Segundo Padilha, R$ 3,2 milhões já estavam previstos, desde dezembro do ano passado, para serem repassados nos seis primeiros meses deste ano ao governo municipal. A novidade é que essa quantia vai continuar sendo investida no próximo semestre, o que somará R$ 6,4 milhões neste ano.

Ao todo, o Plano Nacional de Enfrentamento ao Crack do governo federal prevê o repasse de R$ 500 milhões para o Estado de São Paulo até 2014. Os R$ 6,4 milhões fazem parte desse montante.


Ao lado do prefeito Gilberto Kassab (PSD), o ministro afirmou que os recursos iniciais serão utilizados para a criação de 16 equipes de profissionais médicos e assistentes sociais que vão identificar e encaminhar a unidades especializadas os dependentes que necessitam de tratamento na cidade de São Paulo.

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A verba também será destinada à inauguração de dez unidades de atendimento que irão aumentar em 100 a 150 o número de leitos utilizados para a internação de dependentes por longos períodos. A previsão é que essas unidades estejam prontas até o final de março. Além disso, segundo Padilha, está prevista a contratação de mais leitos em clínicas terapêuticas com os recursos liberados pelo governo federal.

"O crack é um problema de todo o país", afirmou o ministro, ao classificar o avanço da droga em território nacional como "epidemia". "É necessário uma integração entre assistência social e de saúde aos dependentes", completou. Já Gilberto Kassab destacou a parceria entre os poderes executivos. "Esse é um trabalho que precisa ser feito em conjunto, prefeitura, governo federal e governo estadual", disse.

As declarações de Padilha e do prefeito foram feitas no canteiro de obras do complexo da rua Prates, o primeiro da cidade que reunirá no mesmo lugar assistência social e de saúde para dependentes químicos. A construção está sendo conduzida pela prefeitura paulistana, que ficará responsável pela assistência aos dependentes adultos e adolescentes. O governo federal cuidará do atendimento médico e ambulatorial.

Questionado se as ações de repressão da Polícia Militar na cracolândia pegaram o governo federal de surpresa, Padilha se esquivou de uma resposta direta. Disse que desde dezembro conversava com a prefeitura paulistana e o governo estadual sobre a liberação dos repasses para o combate ao crack e minimizou o fato de o governo federal não ter sido avisado das operações da PM. "Existem várias ações no âmbito da prefeitura que o Ministério não precisa ser avisado", afirmou.

 

Localização da cracolândia

  • Arte UOL

Operação na cracolândia

A operação que acontece desde o dia 3 de janeiro na cracolândia, no centro de São Paulo, retirou da região 128,3 toneladas de lixo e entulho concentrados nos casarões abandonados da região, utilizados como abrigo de dependentes químicos.

Seis imóveis da região começaram a ser demolidos nesta quarta-feira (18) após a interdição de mais de 30 considerados irregulares na área. Os estabelecimentos, localizados nas alamedas Barão de Piracicaba e Dino Bueno, rua Helvetia, avenida Rio Branco e largo Coração de Jesus, abrigavam comércios, bares, hotéis e pensões construídas irregularmente.

A ação foi realizada ontem por 250 homens, divididos em 20 equipes, compostas por agentes, engenheiros e agentes de apoio, que contaram com o auxílio de 40 caminhões. As fiscalizações deverão continuar ao longo da semana.

Segundo o último balanço divulgado pelo governo estadual, os agentes de saúde abordaram 2.111 pessoas desde o começo da operação integrada entre órgãos municipais e estaduais, sendo que 92 foram internadas e outras 352 foram encaminhadas para serviços de saúde.

Foram apreendidos no local 3,3 kg de crack –ou cerca de 10 mil pedras–, 15 kg de cocaína e 44 kg de maconha. Entre as 6.242 abordagens policiais, 43 pessoas condenadas foram capturadas e outras 114 foram presas.

Entenda

A operação policial na região central de São Paulo acontece para combater o tráfico de drogas e evitar aglomerações de dependentes de crack. Participam da ação policiais e órgãos estaduais e municipais ligados à segurança, saúde e assistência social. Segundo a Secretária de Segurança Pública, a ação não tem prazo para terminar e não tem erros.

Entretanto, reportagens mostraram que o patrulhamento na região começou antes da hora, sem o conhecimento do prefeito Gilberto Kassab (PSD), como ele mesmo admitiu, do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do comando geral da Polícia Militar.

O uso da força foi criticado. Imagens mostraram a Polícia Militar usando balas de borracha e bombas de efeito moral contra os usuários, mas os equipamentos foram proibidos pelo secretário de Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, depois que as fotos foram divulgadas. O Ministério Público chegou a abrir inquérito para investigar a atuação da PM na operação.

Reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”, na segunda-feira (16), mostrou que Kassab e Alckmin decidiram, em 1º de dezembro, pelo uso ostensivo da Polícia Militar na cracolândia. Até então, havia grupos que defendiam prioridade à ação social e de saúde pública. O combate ao tráfico foi posto à frente, pois, para o secretário municipal Januário Montone (Saúde), sem repressão da PM, todos seguiriam "enxugando gelo".

Ainda segundo a Folha, a vinda da presidente Dilma Rousseff a SP para exibir um plano antidrogas, no final do ano passado, e uma reunião da cúpula da segurança perto do Réveillon aceleraram a ação.

(Com Agência Estado)