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MP quer que todos os réus do caso Eliza Samudio sejam julgados por crime de homicídio

Rayder Bragon

Do UOL, em Belo Horizonte

20/03/2012 19h58

O Ministério Público de Minas Gerais entrou com recurso no Tribunal de Justiça do Estado (TJ-MG) questionando uma decisão de agosto passado, da 4ª Câmara Criminal do tribunal, relacionada ao caso de desaparecimento e suposta morte de Eliza Samudio, ex-namorada do goleiro Bruno Souza.

O MP questiona a decisão de não pronunciar, pelo crime de homicídio, as ex-companheiras do jogador, Dayanne de Souza e Fernanda Castro, além de Elenílson Vítor da Silva, ex-caseiro de sítio do goleiro, e o amigo do jogador Wemerson Marques de Souza, conhecido como Coxinha.

Os embargos declaratórios questionam o que o Ministério Público classificou de “omissões” e “pontos obscuros” da decisão tomada pelos desembargadores da 4ª Câmara do TJ.  Também têm como objetivo, segundo a assessoria do MP, pré-questionar os itens para “interposição de recurso no Superior Tribunal de Justiça”.   

Os quatro réus respondem ao processo em liberdade e deverão enfrentar o júri popular pelos crimes de sequestro e cárcere privado do filho de Eliza Samudio, de acordo com decisão da juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, do 1º Tribunal do Júri de Contagem (MG). A decisão foi anunciada em dezembro de 2010 e mantida pelo tribunal. Fernanda Castro ainda responderá pelo sequestro e cárcere privado de Eliza.

O Ministério Público também é contra a absolvição dada pelo tribunal a esses réus pela acusação de corrupção de menores.

Pelo crime de homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado e ocultação de cadáver, deverão ir a júri popular o goleiro Bruno Souza, seu ex-secretário Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e o primo do jogador Sérgio Rosa Sales.

O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, deverá responder por homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver. O MP ainda requer que Bola seja julgado pela qualificadora de motivo torpe, em relação à suposta morte de Eliza, que havia sido retirada pelo tribunal.

Sales responde ao processo em liberdade desde agosto do ano passado porque os desembargadores entenderam que ele colaborou com as investigações e não representa perigo de influenciar testemunhas. Os outros três réus estão presos em Minas Gerais.

Um primo do goleiro, menor de idade, cumpre medida socioeducativa em Minas Gerais por prazo indeterminado – a cada seis meses a sua situação é reavaliada pela Justiça. A pena poderá se estender por até três anos, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente.