Sindicato diz que falha foi detectada antes de colisão de trens; Metrô cita problema mecânico

Andréia Martins
Do UOL, em São Paulo

O Sindicato dos Metroviários de São Paulo afirmou nesta quarta-feira (16) que uma falha mecânica foi relatada por volta das 8h de hoje, horas antes da colisão entre dois trens entre as estações Carrão e Penha da linha 3-vermelha do metrô. Mais de 30 pessoas ficaram feridas no acidente.

Segundo Alex Fernandes, diretor do sindicato, um operador no Carrão percebeu um problema de falha de comunicação no chamado sistema ATC, um sistema de freio automático, e que o problema foi relatado ao Centro de Controle Operacional (CCO) do Metrô. A assessoria de imprensa do Metrô afirmou que não ia comentar e disse que todos os esclarecimentos foram dados na coletiva de imprensa do secretário de Transportes, Jurandir Fernandes. A reportagem tentou contato direto com o CCO, mas ninguém atendeu os telefonemas. 

Segundo Jurandir Fernandes, a secretaria descarta possibilidade de falha humana e afirma que o maquinista não conseguiu frear a tempo de evitar a colisão. Um dos trens estava parado nos trilhos --ainda não se sabe se ele estava em atividade ou não-- e o segundo estava entre 9 e 12 km/h.

Em entrevista ao "SPTV", da TV Globo, o presidente do Metrô, Peter Walker, disse que a falha foi mecânica e que os dois trens deveriam manter uma distância mínima, mas um deles parou na linha e o que vinha logo atrás continuou. "[O maquinista] falou que recebeu 'linha livre, continue', então continuou", disse.

 

O presidente do sindicato dos metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior, afirma que o maquinista relatou que, enquanto o trem estava em movimento, o sistema ATC emitiu um alerta de acelerar em vez de frear ao ter se aproximado da composição parada. O maquinista então operou o trem manualmente para freá-lo. Segundo Prazeres, toda composição do Metrô conta com o sistema automático que, ao registrar a distancia de 150 metros entre o próximo trem, aciona o freio. 

O delegado titular da Delpom (Delegacia de Polícia do Metropolitano), Valdir Rosa, afirma que eventual falha técnica é a hipótese mais provável para o acidente. Em entrevista ao UOL, o delegado afirmou que no inquérito a ser instaurado serão ouvidos, além de funcionários do metrô, vítimas e passageiros que estavam nas composições no momento do acidente.

Acidente

A colisão entre dois trens da linha 3-vermelha do metrô de São Paulo deixou mais de 30 pessoas feridas entre as estações Carrão e Penha, na zona leste de São Paulo, segundo o Corpo de Bombeiros. Com ferimentos leves e médios, elas foram encaminhadas a hospitais da região.

Segundo relato de usuários que estavam nos trens, houve uma "aceleração inesperada" das composições e um "forte estrondo" antes de um trem bater na traseira do outro. 

Com o choque entre as composições, usuários acionaram o botão de emergência dos trens e deixaram os vagões pelas laterais. 

  • Arte UOL

    Mapa mostra o local do choque de trens na linha vermelha do metrô de São Paulo

"Foi um desespero muito grande. Todo mundo estranhou o fato de o maquinista parar o metrô várias vezes e acelerar do nada", disse Ahlex Marlon. Segundo ele, o acidente fez com que todas as pessoas que estavam no último vagão caíssem no chão. O caso mais grave, segundo relato da testemunha, foi o de uma idosa que fraturou a perna e foi auxiliada pelos próprios passageiros. "Uma menina que estava sentada do meu lado acabou batendo o ombro no ferro de proteção. Ela chorava de dor."

Os trens estão sendo vistoriados e uma comissão de segurança foi nomeada para avaliar as causas do acidente.

Este foi o primeiro choque de trens com passageiros da história do metrô de SP. Em 2009, um choque foi registrado em novembro quando duas composições colidiram durante a madrugada, entre as estações Ana Rosa e Vila Mariana, após o fim da operação comercial. Um funcionário ficou ferido na ocasião.

 

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