Após 14h de sessão, Macarrão inicia interrogatório e diz que contará a verdade

Guilherme Balza
Do UOL, em Contagem (MG)

Depois de aproximadamente 14 horas do início da sessão desta quarta-feira (21) do júri do caso Eliza Samudio, o réu Luiz Henrique Romão, o Macarrão, começou a depor. Espécie de faz-tudo do ex-goleiro Bruno Fernandes, Macarrão é acusado pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado e ocultação de cadáver.

Logo no início do interrogatório,  Macarrão prometeu declarar à juíza Marixa Fabiane tudo o que sabe sobre o desaparecimento de Eliza Samudio.

O caso Bruno em fotos
O caso Bruno em fotos

"Hoje vou falar para a senhora tudo o que a senhora quiser. Vou esclarecer todas as verdades sobre os fatos", disse.

Ainda segundo Macarrão, ele não pôde esclarecer elementos do caso à juíza anteriormente porque seus antigos advogados "não deixaram".

"Primeiramente, quero falar pra senhora que hoje tô tendo a oportunidade de falar perante a senhora, porque naquele momento meus advogados não deixaram, meus ex-advogados (sic)", disse o réu.

Em sua fala, Macarrão disse ainda que não é "esse monstro que pintaram".

Questionado pela juíza se as denúncias são verdadeiras, Macarrão respondeu: "em partes é, né (sic)".

O depoimento dele é cercado por expectativas quanto à possibilidade dele confessar a morte de Eliza Samudio. O promotor Henry Castro crê que isso possa ocorrer e disse, mais cedo, que o caso terá uma reviravolta.

José Arteiro, advogado de Sônia Moura, mãe de Eliza Samudio, afirmou mais cedo que houve um acordo com a defesa de Macarrão para que ele confesse o crime e, por conta disso, receba uma pena menor.

VEJA O QUE É APRESENTADO NO JULGAMENTO DOS ACUSADOS

RÉU ACUSAÇÃO O QUE DIZ O MP O QUE DIZ A DEFESA
BRUNO * Responde pelos crimes de sequestro e cárcere privado, homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver Mentor e mandante da morte de Eliza, ameaçou-a de morte durante a gravidez. O goleiro determinou que Eliza fosse sequestrada e levada a sua casa, no Rio de Janeiro. Acompanhou o deslocamento de Eliza, já sequestrada e ferida na cabeça após receber coronhadas, para Minas Nega a existência do crime. Eliza não foi morta porque não há corpo. Anteriormente, havia reconhecido a morte de Eliza, mas sem a participação, concordância ou o conhecimento do goleiro. A atribuição do crime havia sido dada a Macarrão, insinuando que o ex-braço direito nutria um "amor homossexual" pelo jogador
MACARRÃO Responde pelos crimes de sequestro e cárcere privado, homicídio triplamente qualificado, e ocultação de cadáver Também ameaçou Eliza durante a gravidez e foi o responsável pelo sequestro da moça no Rio de Janeiro. Foi o motorista do carro, com Eliza e o filho, na viagem para Minas Gerais. Dirigiu o veículo que transportou a moça até a casa de Bola. Amarrou as mãos de Eliza e desferiu chutes nas pernas da moça Não existem provas materiais do crime de homicídio. Ele declarou que, Para evitar "especulações", não adianta detalhes da estratégia de defesa a ser adotada
BOLA* Responde pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver Executor de Eliza, estrangulou a jovem dentro de casa, em Vespasiano. Esquartejou o corpo da mulher e atirou uma das mãos a cães rottweiler. Foi incumbido de desaparecer com o corpo Nega as acusações e afirma que apresentará "prova cabal" aos jurados, durante o julgamento, da inocência de Bola
DAYANNE * Responde pelos crimes de sequestro e cárcere privado da criança Participou da "vigilância" feita sobre Eliza e o filho no sítio do goleiro em Esmeraldas, apontado pela polícia como o cativeiro de Eliza antes de sua morte. Sabia do plano para matar a ex-amante do jogador. Tentou desaparecer com o filho de Eliza, localizado posteriormente pela polícia em Ribeirão das Neves Nega que Dayanne soubesse do plano para matar Eliza, ela apenas cuidou da criança depois de um pedido do ex-marido. Sobrevivência do filho de Eliza se deu graças a Dayanne
FERNANDA Responde pelos crimes de sequestro e cárcere privado de Eliza e do filho dela Outra ex-amante de Bruno, auxiliou Macarrão a manter Eliza dentro da casa do goleiro no Rio antes da viagem para Minas. Cuidou do filho de Eliza nesse período e acompanhou Bruno e Macarrão na ida para Minas. Sabia da intenção do grupo de matar Eliza É inocente, não sabia de nenhum plano para matar Eliza. Não presenciou um cenário que remetesse ao crime atribuído a ela. A viagem a Minas Gerais com o goleiro havia sido programada um mês antes do crime. Não notou ferimentos em Eliza
  • * Os advogados de Bola abandonaram o julgamento. Como Bola recusou a indicação de um defensor público, ele deverá ser julgado em outro momento. Bruno também adotou a mesma tática e conseguiu adiar o seu julgamento e de sua ex-mulher Dayanne

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