Putin declara vitória na Rússia e diz ter ganhado "batalha honesta"; oposição contesta eleições

Do UOL, em São Paulo

  • Denis Sinyakov/Reuters

    Aplaudido pelo atual presidente e aliado, Dmitri Medvedev, o premiê Putin comemora vitória nas eleições

    Aplaudido pelo atual presidente e aliado, Dmitri Medvedev, o premiê Putin comemora vitória nas eleições

O primeiro-ministro e homem forte da Rússia Vladimir Putin venceu em primeiro turno as eleições presidenciais deste domingo (4) com quase 65% dos votos, ou pouco mais de 39 milhões --90% dos votos já foram apurados. Mas antes mesmo do resultado final da apuração, o premiê declarou vitória e discursou para milhares de apoiadores na praça de Manezh, perto do Kremlin, em Moscou.

“Vencemos. Ganhamos em uma batalha aberta e honesta”, disse Putin, em uma resposta às críticas de adversários, que contestam a validade das eleições.

“Obrigada a todos os que disseram ‘sim’ à grande Rússia”, continuou Putin, diante de eleitores que balançavam bandeiras russas e enfrentavam um frio de 3 graus negativos para ouvir o premiê.

“Nossos eleitores sabem diferenciar o desejo de renovação e as provocações políticas cujo objetivo é destruir nosso Estado e usurpar o poder”, afirmou. “Coisas assim não acontecerão em nossa terra”.

Os primeiros números foram divulgados às 21h (14h de Brasília) após o fechamento dos últimos colégios eleitorais em Kaliningrado, enclave russo entre a Polônia e os países bálticos.

O comunista Gennady Zyuganov chega na segunda posição com cerca de 17% dos votos. Na terceira posição aparece o multimilionário Mikhail Prokhorov, seguido do populista Vladimir Zhirinovsky --cada um tem cerca de 7% dos votos. O ultranacionalista Vladimir Jirinovski, que participou de várias votações presidenciais nos últimos 20 anos, é quarto com pouco mais de 6% dos sufrágios. O ex-presidente da Câmara alta, Sergei Mironov, líder do partido Só Rússia, contabilizava 3,7%.

Durante a campanha, o atual premiê não participou de debates políticos com os outros quatros candidatos à presidência. Mandou os representantes de sua campanha para entrevistas enquanto mantinha a imagem de primeiro-ministro ocupado viajando pelo país.

A eleição é vista como uma espécie de referendo sobre os 12 anos de predomínio quase inconteste de Putin na política russa. Depois de dois mandatos de quatro anos, a Presidência foi assumida por seu aliado Dmitri Medvedev, em 2006. Putin deixou o Kremlin para ser primeiro-ministro porque a Constituição o impedia de cumprir mais de dois mandatos consecutivos.

Mas lançou à liderança do Estado seu subordinado Medvedev, que em setembro passou para segundo plano para que seu mentor pudesse voltar ao Kremlin em 2012.


Uma reforma constitucional elevou de quatro a seis os anos de mandato, de modo que Putin pode concorrer novamente em 2018, permanecendo, assim, no poder até 2024. Putin já declarou que considera a possibilidade de tentar a reeleição em 2018 como algo "normal, se tudo estiver funcionando, e o povo gostar".

Críticas da oposição

O candidato comunista Gennady Zyuganov considerou que a eleição presidencial russa foi "um roubo", enquanto Vladimir Rijkov, um dos organizadores das manifestações opositoras de dezembro, afirmou que não pode ser considerada "legítima".

A eleição foi "um roubo, absolutamente desonesta e indigna", segundo Zyuganov. "Não reconhecemos estas eleições", acrescentou, segundo declarações transmitidas pela televisão.

Para Rijkov, "estas eleições não podem ser consideradas legítimas".

Após as eleições legislativas de dezembro de 2011, russos de diferentes classes sociais foram às ruas para protestar contra indícios de corrupção na votação. Com placas de "fora Putin", milhares de opositores do regime realizaram diversos protestos em Moscou e São Petersburgo, os maiores desde o colapso da União Soviética.

Para aplacar os ânimos, Putin fez concessões a alguns setores da sociedade. "A situação exigiu que ele incorporasse um tom mais populista e nacionalista em sua postura. Já foram anunciados aumentos significativos de salário para funcionários públicos e há a promessa de implementar outros mais dentro de um a três anos", avalia Alex Pravda, diretor do centro de estudos russos da Universidade de Oxford.

O problema, segundo Irina Semenenko, pesquisadora do Imemo, um dos principais centros de estudos políticos e econômicos em Moscou, é que as medidas não contemplam necessariamente todos os setores da massa descontente. "Putin focou nos idosos, militares, professores e profissionais da área da saúde. Isso explica em parte por que a sua popularidade continua em alta. Os intelectuais e a classe média, que são os principais mobilizadores nos protestos, ficaram de fora", afirma.

(Com agências internacionais e Fernanda Calgaro, de Londres)

 

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