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Confederação espanhola critica novas exigências a viajantes e aponta queda no turismo

Fernando García

La Vanguardia

06/04/2012 06h00

Os novos requisitos de entrada que o Brasil começou a exigir na segunda-feira (2) dos turistas espanhóis estão fazendo cair o número de visitantes procedentes de Barcelona ou Madri. Embora ainda não haja números precisos, a queda já “supera os 10%”, disse ao jornal o presidente da Confederação Espanhola de Agências de Viagens e Operadoras de Turismo (Ceavyt), Rafael Gallego.

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Oficialmente, desde 2 de abril, e de fato desde semanas atrás, as autoridades de imigração brasileiras exigem dos turistas espanhóis – e não ao restante dos europeus – os seguintes documentos: passagem de volta marcada; passaporte válido por seis meses; registro em estabelecimento hoteleiro ou, na falta deste, carta de convite da pessoa que oferecerá alojamento, e recibo bancário que demonstre a posse de pelo menos R$ 170 por dia de estada para se manter. Trata-se dos mesmos requisitos que a Espanha e o resto dos países da área de Schengen exigem dos brasileiros e cidadãos de outros países que não pertencem à comunidade europeia.

O país latino-americano decidiu impor essas exigências aos espanhóis para supostamente aplicar a “reciprocidade” bilateral, mas não escondeu que foi uma resposta a alguns casos de rejeição e repatriação de brasileiros no aeroporto de Barajas; casos nos quais o governo de Dilma Rousseff viu um tratamento “injusto”, “abusivo” ou muito rigoroso por parte da imigração espanhola. Madri nega as acusações, que começaram com alguns incidentes em 2008. As primeiras horas de aplicação das novas regras foram relativamente tranquilas, embora na terça-feira tenha havido uma primeira rejeição com devolução ao país de origem.

Os responsáveis pela fronteira aeroportuária de Brasília negaram a entrada e enviaram de volta a Madri um médico espanhol que viajava para uma reunião profissional e “não cumpria algumas condições” de entrada, segundo a informação divulgada ontem. A medida do Executivo brasileiro se dirige apenas aos espanhóis que chegam como turistas, mas é preciso lembrar que o país proíbe os estrangeiros de exercer qualquer atividade profissional sem dispor do visto correspondente ou, em caso de seminários de empresas ou cursos para estudantes, do convite ou permissão de tempo correspondente.

Em todo caso, e segundo o presidente da Ceavyt, a decisão “afeta e afetará em cheio” o turismo espanhol no Brasil. A queda de 10% estimada desde o anúncio da medida – há dois meses – é um mínimo calculado por baixo por cautela e que “sem dúvida é pouco”, disse Gallego. A estimativa, por falta de dados mais confiáveis que serão obtidos com mais tempo, parte de informes colhidos entre algumas das 4.500 agências da confederação, assim como entre as companhias aéreas com voos diretos e regulares para o Brasil. O impacto negativo não se deve só à hesitação dos visitantes diante da possibilidade de serem rejeitados na fronteira, mas também às orientações das próprias agências.

“O que o Brasil oferece, em praias ou na Amazônia, outros países da região também têm. E, com o que está acontecendo, não nos damos ao trabalho de recomendar destinos que colocam entraves e penalizam nossos clientes.” Gallego explicou que as agências assumem “uma grande responsabilidade” em relação às consequências desses entraves, pois têm a obrigação de informar aos clientes sobre os documentos que serão exigidos ao chegar.

Das passagens de avião vendidas na Espanha, 87% o são por meio de agências de turismo, afirmou. Em grande parte são ofertas com “condições rígidas para troca e reembolso”. E como as reclamações por uma expulsão podem recair sobre as agências, elas tratam de prevenir em vez de remediar.

“Não sei o que o governo brasileiro quer conseguir. Sem dúvida, não vai conseguir atrair turistas espanhóis. Nem o Japão, que é muito mais desenvolvido, exige tanto”, acrescentou o presidente da Ceavyt, enfatizando que as exigências espanholas “se devem, por sua vez, à União Europeia”.

Enquanto isso, o embaixador espanhol no Brasil, Manuel de la Cámara, apostou no diálogo bilateral; tanto para resolver o conflito das repatriações, como para que o país emergente facilite o acolhimento dos numerosos profissionais espanhóis que vão ao país em busca de emprego. A imigração de Brasília repatriou para Madri um médico espanhol porque ele “não cumpria as exigências”.