Seis frases revelam a visão de um militar que viveu o golpe de 1964

Carolina Mazzi
Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Arte/UOL

O coronel Cantídio Dantas, atualmente presidente da Federação da Família Militar do Distrito Federal (Famil), já fazia parte das Forças Armadas durante o golpe militar de 1964. Segundo ele, empresários, políticos, intelectuais e a população brasileira pediram "pelo amor de Deus" por uma intervenção militar na década de 60. Em entrevista ao UOL, o coronel fala sobre o "clamor" da população, defende o tempo de permanência dos militares no poder e evita afirmar que existiu tortura.

O pensamento do coronel

Eram greves todos os dias, quebra-quebra de bonde. Eu lembro porque morava no subúrbio do Rio e precisava me deslocar, às vezes a gente saía de casa, não sabia se ia chegar. Havia problemas também no cais do porto, greve dos portuários e assim sucessivamente. [O então presidente João Goulart] se deixou levar pela conversa das pessoas daquelas revoluções de lá de trás, do [Luís Carlos] Prestes, da Intentona de 35, e começou a 'tocar horror' em todo o Brasil Sobre o cenário do país na época do golpe
A marcha [da Família com Deus e pela Liberdade] mexeu com as famílias brasileiras como um todo. Empresários, banqueiros, a Igreja, a sociedade, os homens de bem, todo mundo participou. O próprio Adhemar de Barros, que era governador de SP, o governador [de Minas Gerais] Magalhães Pinto, o próprio Delfim Netto, muitas outras pessoas, foram aos quartéis pedir pelo amor de Deus para que os militares tomassem uma posição, senão o Brasil se tornaria uma republica soviética da América do Sul. O militar nunca saiu dos quartéis e foi para as ruas tomar o poder. Ele foi clamado pela população Sobre o pedido de intervenção militar
O militar, de maneira geral, não usa muito da política para o seu dia-a-dia. Naquela ocasião existiam umas pessoas [que não concordaram com o regime militar], como foi o caso do Luís Carlos Prestes, que era um militar que se 'comunizou'. Também tenho contemporâneos da academia militar que se deixaram levar pelos comunistas. Existiam sim alguns que foram enganados pelo canto da sereia. Mas a maioria apenas cumpriu ordens. E [os que se rebelaram] foram presos Sobre militares no poder
O governo militar ficou 20 anos no poder porque foi instado a ficar. Não era para ficar 20 anos, mas fomos instados a ficar pela população brasileira. Graças a isso, o Brasil foi devolvido pacificado. Se não fosse por este trabalho feito lá atrás, hoje seríamos como a Venezuela e Cuba. Não saímos para subjugar o povo brasileiro, foi uma correção de rota para que o Brasil não se tornasse um país de marginais Sobre a permanência dos militares no poder
Não vou dizer que houve, também não vou dizer que não houve. Mas se você observar, vai ver que os mesmos que diziam lutar pela democracia do país estão aí, condenados pelo mensalão Sobre tortura durante o regime militar
Eu sou a favor de buscar a verdade, mas toda a verdade, ouvindo os dois lados. Ninguém fala das mortes dos policiais, dos soldados, só se investiga um lado. Quem primeiro pegou em armas? Não foram os militares Sobre a Comissão da Verdade

 

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