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Na Coreia do Sul, jovens rejeitam o consumo de carne de cachorro

Cachorro é mantido em gaiola em fazenda em Wonju, na Coreia do Sul - Ed Jones/AFP
Cachorro é mantido em gaiola em fazenda em Wonju, na Coreia do Sul Imagem: Ed Jones/AFP

Em Seul

27/04/2016 10h50

"É uma atividade que está morrendo", afirma Gong In-Young, ao observar defensores dos direitos dos animais fechando as jaulas da criação de cachorros que era destinada para o consumo humano há 10 anos.

Quase 200 cães de várias raças estavam no local: huskys siberianos, rottweilers, golden retrievers, entre outros.

A Coreia do Sul tem milhares de espaços de criação como o de Gong, mas o dele eram o maior até que a Humane Society International (HSI), associação com sede nos Estados Unidos, fechou o local.

Gong criava cachorros para o consumo humano. Os animais viviam em jaulas do nascimento até a morte.

Segundo as estimativas, os sul-coreanos comem entre 1,5 e 2,5 milhões de cães por ano, mas o setor passa por uma crise porque as novas gerações rejeitam a carne canina.

Gong não lamenta muito a mudança.

"No passado, as pessoas comiam carne de cachorro porque não havia nada mais. Porém, hoje, os jovens não precisam", afirma.

De acordo com uma pesquisa do instituto Gallup Korea, apenas 20% dos homens na casa dos 20 anos comeram cachorro em 2015, contra 50% entre as pessoas acima de 50 anos.

O país aprecia cada vez mais os cães como animais de estimação, o que ajuda a reduzir a demanda pela carne canina.

No ano passado, a HSI salvou 225 cachorros e fechou quatro áreas de criação, dentro de uma política "construtiva" para erradicar o setor. Vários animais foram enviados para os Estados Unidos ou Canadá para adoção.

As autoridades pagam até 60.000 dólares, de acordo com a quantidade de animais, pelo fechamento definitivo do local e para permitir o início de atividades mais humanas.

Com as operações midiáticas, a HSI tenta sensibilizar a opinião pública sobre a crueldade das criações e abrir um diálogo com as autoridades sul-coreanas, explica Andrew Plumbly, coordenador da campanha.

A Coreia do Sul se prepara para receber os Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, uma oportunidade para defender as mudanças, destaca o ativista.

As autoridades sul-coreanas têm consciência da rejeição provocada por esta indústria. Nas Olimpíadas de Seul-1988 fecharam os restaurantes de carne de cachorro por causa dos turistas.

Gong entrou na atividade há 10 anos quase por acaso, depois de fracassar em outras áreas, mas afirma que "nunca sentiu orgulho".

Também não era rentável. Em um ano ele vendia 200 cachorros ao preço médio de 200 dólares, o que representava uma renda bruta de quase 40.000 dólares.

"Percebi que os cães seriam mais felizes se mudasse de opinião", conta, enquanto observa seu cachorro de estimação, Snow, passeando entre as jaulas.

A Coreia do Sul não exige licença para a abertura de um local como o de Gong. As autoridades verificam apenas o tratamento dos dejetos e se a criação não incomoda a vizinhança.

Ao receber um pedido para comparar a vida de Snow com a dos outros cachorros, Gong define a situação: "É a diferença entre o paraíso e o inferno".