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Investigações avançam sobre o segundo escalão da Petrobras

Fachada da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro - Ricardo Moraes/Reuters
Fachada da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro Imagem: Ricardo Moraes/Reuters

Do Rio

23/03/2015 21h15

As investigações sobre a existência de um suposto esquema de corrupção na Petrobras avançam sobre o segundo escalão da empresa. Ex-parceiro do delator da Operação Lava Jato Paulo Roberto Costa na área de Abastecimento da companhia, Djalma Rodrigues foi afastado na última sexta-feira, 20, da gerência geral de Participações Petroquímicas da empresa.

Em 2005, o executivo chegou a ser indicado pelo PP para assumir a diretoria "que fura poço", segundo palavras do então presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, que almejava para a cota do partido o comando da diretoria de Exploração e Produção (E&P). O setor concentra o maior orçamento da estatal.

A saída de Rodrigues é a segunda baixa no corpo gerencial desde que Aldemir Bendine assumiu a presidência da Petrobrás, há 45 dias, no dia 9 de fevereiro. O primeiro corte aconteceu na última quinta-feira, 19, quando Wilson Santarosa, ligado ao PT, foi destituído do cargo de gerente executivo da Comunicação Institucional da empresa.

No dia seguinte, foi a vez da estatal afastar o afilhado político do mesmo partido que o do delator da Lava Jato, o PP. Rodrigues e Costa trabalharam juntos até 2000 na extinta Gaspetro, que cuidava dos negócios de gás da estatal, e na TBG, empresa responsável pelo transporte de gás natural boliviano até o Brasil. Na época, Costa era subordinado a Rodrigues. A situação se inverteu em 2003, quando Costa assumiu a diretoria de Abastecimento da petroleira e Rodrigues passou a ser chefiado por ele.

Já em 2005, a indicação de Rodrigues ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a diretoria de E&P foi motivo de escândalo na imprensa. Cavalcanti veio a público dizer que almejava a diretoria da estatal "que fura poço e acha petróleo", que responde por cerca de 70% do investimento total da petroleira.

As intenções do então presidente da Câmara foram frustradas pela presidente Dilma Rousseff, que, naquele ano, era ministra de Minas e Energia e optou por manter no cargo Guilherme Estrella, ligado ao PT. Em compensação, foi dada a Rodrigues a diretoria de Novos Negócios da Petroquisa, comandada por Graça Foster, que, sete anos depois, ocuparia a presidência da Petrobrás por indicação da presidente Dilma.

Na época, Rodrigues negou qualquer relação política com Cavalcanti, afastado do Congresso após ser acusado de participação em um esquema de corrupção, o mensalinho, na Câmara. Na época, o ex-gerente da Petrobrás, afirmou que o ex-parlamentar o procurou apenas por terem nascido no mesmo estado.

Procurada, a Petrobras informou apenas que "funções gerenciais não são permanentes, sendo, portanto, de livre nomeação a qualquer momento".