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Ativistas sauditas são presas por dirigir sozinhas em Riad

Em Riad

01/12/2013 12h21

Duas importantes ativistas sauditas voltaram a desafiar a proibição de mulheres dirigirem e foram presas por algumas horas em Riad, segundo publicou neste domingo o jornal árabe internacional "Al-Hayat".

Uma delas, Aziza al Youssef, explicou ao jornal que na sexta-feira passada conduziu seu carro, ao lado de outra ativista, Iman al Nashfan, até um hospital em Riad e na volta foram detidas.

  • Arte UOL

"Um homem e sua mulher nos perseguiram e nos denunciaram para as autoridades", disse a ativista, que informou sobre o caso nas redes sociais.

Youssef acrescentou que a polícia as levou para uma delegacia do norte da capital saudita, onde permaneceram três horas detidas.

Na delegacia, as duas foram obrigadas a chamar seus respectivos tutores para que assinassem um compromisso escrito afirmando que elas não irão dirigir de novo.

Youssef e Nashfan convocaram em 26 de outubro uma manifestação para reivindicar o direito das mulheres dirigirem carros.

Além disso, Youssef se reuniu na semana passada com o ministro do Interior, Mohammed bin Nayef, para discutir esta questão, depois quem em 30 de outubro as autoridades sauditas ratificaram a proibição para que as mulheres conduzam sozinhas ou acompanhadas.

Na quarta-feira passada, o ex-piloto e político finlandês Ari Vatanen, campeão mundial de ralis e quádruplo vencedor em Dacar, fez um protesto em frente à Torre Eiffel contra a proibição.

O mufti geral do país (máxima autoridade religiosa), Abdulaziz al Sheikh, diminuiu recentemente a importância do debate e pediu ajuda para impedir que as mulheres dirijam para "proteger a sociedade do mal" que esta prática carrega.

A Arábia Saudita vive sob uma rígida interpretação da lei islâmica (sharia), que impõe a segregação de sexos em espaços públicos. Além disso, mulheres não podem dirigir nem viajar para fora do país sem um homem da família, entre outras restrições.