Pacheco defenderá no STF transparência de verbas distribuídas por Lula
O presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse à coluna que os mesmos critérios que o STF cobra para as emendas parlamentares devem ser aplicados para o orçamento próprio dos ministérios, tecnicamente chamado de RP2.
O UOL revelou nesta segunda-feira (19), que o presidente Lula (PT) favoreceu seis cidades de aliados políticos com recursos de cinco ministérios.
A partir de ordens veladas do presidente, Diadema, Araraquara, Hortolândia, Mauá, em São Paulo; e Belford Roxo e Cabo Frio, no Rio de Janeiro, foram privilegiadas.
As duas primeiras receberam mais dinheiro para cirurgias e exames do que 13 capitais, entre elas Belo Horizonte, Porto Alegre e Maceió em processos que desprezaram as formalidades exigidas das demais cidades.
Nesta terça-feira (20), Pacheco irá ao Supremo para conversar com o presidente Luís Roberto Barroso sobre a decisão da Corte de bloquear o pagamento de emendas.
A verba utilizada por Lula para favorecer os seis aliados entrará na pauta.
"Os critérios de transparência no RP2 também são necessários para tornar o gasto público proporcional, razoável e eficiente. A visão de achar que o problema está no Parlamento está meio caolha. O problema está na gestão orçamentária que envolve Legislativo e Executivo", afirmou Pacheco ao UOL.
O senador admite discutir o fim das chamadas emendas Pix em troca de manter o Parlamento com o controle de parte do orçamento. "Não dá para voltar tudo para o Executivo, para o RP2, para ficar todo mundo de pires na mão", disse.
Leia a seguir a entrevista:
UOL - O Executivo está por trás da decisão do Supremo de bloquear as emendas?
Rodrigo Pacheco - Não vou pressupor isso. É óbvio que o Executivo tem as pretensões dele de ter mais protagonismo e poder voltar àquele status quo de poder comandar o orçamento. Isso sem indicação da transparência dos atendimentos. Agora, é natural que o Legislativo queira participar. São 594 parlamentares que têm pretensões de fazer coisas nas nossas cidades. Cada um puxa um pouco para o seu, o importante é a gente não perder a razão e não fazer coisas desproporcionais.
UOL - É o modelo pires na mão [quando os congressistas precisam pedir ao governo para liberar suas emendas]...
Rodrigo Pacheco - Esse modelo subjuga o Parlamento ao poder Executivo quando, na verdade, o orçamento pertence ao Brasil. O Legislativo pode ter sugestões e soluções tão boas quanto o Executivo. Nós não queremos ter a maior parte do orçamento porque a execução é do poder Executivo, mas uma parte menor, com uma vinculação de metade na Saúde, acho que é uma receita boa.
É só todo mundo compreender que o orçamento é de todos e que os maus feitos podem acontecer tanto com recursos originários do Legislativo quanto do Executivo. O malfeito está na índole de quem faz, não necessariamente na engrenagem. É importante chegar desarmado [na reunião no Supremo], com propósito de consenso, sem intenção de retaliar.
UOL - O UOL revelou que o presidente Lula usou recursos de verba própria de ministérios para favorecer seis prefeituras. Assim, Diadema e Araraquara receberam mais dinheiro do que 13 capitais, entre elas, Belo Horizonte, Maceió e Porto Alegre. Como o senhor vê isso?
Rodrigo Pacheco - É o problema de discricionariedade. Quando há discricionariedade, a tendência de se encaminhar o recurso para aqueles locais que têm acesso a quem tem o poder discricionário [de decidir onde alocar a verba] é maior. É a base do governo federal, a base do governo no Parlamento...
Quando o Supremo quer transferir as emendas que são de titularidade do Parlamento para o Executivo, vai esbarrar nesse mesmo problema de falta de transparência e numa discricionariedade concentrada em meia dúzia de ministros e não mais de 594 parlamentares.
UOL - Qual a saída?
Rodrigo Pacheco - Tem que fazer uma opção. Primeira premissa: o orçamento é do Brasil, não é do Executivo. As emendas existem e devem existir. Se você criar filtros vai permitir, no final das contas, uma aferição de gasto público a partir do conhecimento de 594 parlamentares. E, se tiver alguém disposto a fazer malversação de dinheiro público, tem que ter mecanismo para coibir, processar.
UOL - As regras valeriam também para a verba própria dos ministérios?
Rodrigo Pacheco - Se a gente precisa corrigir as emendas Pix; se a gente precisa corrigir a distorção das emendas de comissão, de bancada, para tornar estruturante; se a gente precisa corrigir as emendas de comissão para dar mais uniformidade, o último ato é, de fato, os mesmos filtros serem aplicados no RP2, do poder Executivo.
É saber por que para um está indo cem e para outro, 50. Sendo que um é maior do que o outro. É porque uma cidade tem mais aliados do que a outra no governo? Os critérios de transparência no RP2 também são necessários para tornar o gasto público proporcional, razoável e eficiente.
A visão de achar que o problema está no Parlamento está meio caolha. O problema está na gestão orçamentária que envolve Legislativo e Executivo.
UOL - Diadema recebeu mais dinheiro de RP2 para urbanização de favela do que o Rio de Janeiro. Como o senhor vê isso?
Rodrigo Pacheco - É evidente o critério político. Essa discricionariedade faz parte da política, mas não pode ser desproporcional e não pode ser secreta também. Voltar tudo para o Executivo, para o RP2, para ficar todo mundo de pires na mão, cada votação negociar liberação de emenda para os que estão votando com o governo, fazer formação de base parlamentar a partir desse critério é o pior modelo. Nem tanto ao mar nem tanto ao céu.
72 comentários
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Douglas Vieira Rodrigues
Vai defender o “Orçamento Secreto”, que o Lula dizia que iria acabar no seu governo. Os mineiros deve pensar muito bem na hora de votar nesse cidadão que foi eleito senador.
Robert Graf
Nada contra, desde que ele arrume a sua casa, o Senado, primeiro
Wilson Hauschild
Insuportavel essecPacheco