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Balaio do Kotscho

Resposta à coluna sobre PT e eleições: "É prudente deixar que a urna fale"

Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

01/11/2020 12h18

Recebi e reproduzo abaixo o texto dos jornalistas Edmundo Machado Oliveira e José Américo Dias, deputado estadual e coordenador da campanha do PT em São Paulo, em resposta à minha coluna "Aos 40 anos, PT chega às eleições envelhecido, sem votos e sem rumo", publicada na sexta-feira, dia 30.

Como não sou dono da verdade e respeito as opiniões divergentes das minhas, sempre é bom abrir espaço para que diferentes visões do cenário político e eleitoral sejam levadas ao leitor. Afinal, apesar de tudo, ainda vivemos numa democracia.

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É prudente deixar que a urna fale

A polêmica é uma das coisas mais deliciosas do espírito humano, e da política em especial. Desde que haja respeito e manifesta vontade de progredir o pensamento, e a ação, não há melhor. É com esse sentimento que respondemos ao comentário de Ricardo Kotscho neste Balaio, em 30/10, para dizer-lhe, respeitosamente, que o PT chega às eleições calejado, com votos e sabendo para onde vai, em vez de, na visão do velho e bom jornalista, chegar "envelhecido, sem votos e sem rumo".

Se não dá para brigar com os fatos, como diz, Kotscho também há de aceitar que, contra fatos, não há argumentos. As mesmas pesquisas que ele cita como prova de que há remotas chances de o PT se sair vitorioso nas principais cidades também apontam que o PT é o partido preferido por em torno de 1/5 (20%) do eleitorado, apenas para ficar na cidade de São Paulo, onde as sondagens são mais detalhadas. Em 2016, no nosso pior momento, caímos a apenas 9% de preferência do eleitorado.

É sempre muito complicado fazer profecia em política. As urnas costumam ser ingratas, e mesmo cruéis, com as pitonisas.

Nós podemos desde já dizer o que a urna nos trará. Certamente virão alguns desempenhos, próprios ou em coligação, muito bons, seja em Porto Alegre, Belém, Vitória, Fortaleza, Recife e outras capitais. Rio de Janeiro e São Paulo são uma partida de resultado mais aberto do que os últimos 5 minutos de jogo da liga inglesa.

O importante é que está indo embora o "novo normal" do bolsonarismo, da extrema-direita, das fake news e do ódio, constatado por um Kotscho frustrado diante do ambiente tóxico por que passamos. Começou a morrer na Bolívia, no Chile e, tudo indica, o será nas eleições americanas. A ressaca ultraneoliberal do mundo vai diminuindo. Ela teve no Brasil um golpe parlamentar para chamar de seu. Isso jamais deveria ser esquecido por Kotscho.

Vínculos com o eleitorado se rompem e se refazem ao sabor das conjunturas. Veja-se o PSOE espanhol. Lá não teve Lava Jato, mas quase, e ainda assim o partido de Felipe Gonzales refez-se e tem de novo o primeiro-ministro espanhol.

Eleições municipais não são só para prefeito. Em 2016, o PT caiu de mais de 5 mil para em torno de 2.500 vereadores. Agora nos aproximaremos de 4.000, pelo menos. No Congresso Nacional, seguimos com a maior bancada e sem esse peso Bolsonaro possivelmente tivesse conseguido empurrar os R$ 200,00 que queria como auxílio emergencial. Trabalhamos dia e noite para unificar a pauta da oposição. Jogamos sempre na busca da unidade contra os rasgos fascistas e ultraneoliberais do governo.

Convidamos Kotscho e seus leitores a conhecerem o "Plano para Reconstrução e Transformação do Brasil", que PT e Fundação Perseu Abramo acabam de lançar.

Mais cedo ou mais tarde, voltaremos, como sociedade, à plenitude da defesa da soberania nacional. Contra a desigualdade social, a luta é todo dia.

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"Dom Paulo e a esperança contra o bolsonarismo"

Há exatos 50 anos, a Folha publicava:

"Paulo Evaristo Arns assume a Arquidiocese de SP neste domingo".

Dizia a notícia republicada hoje na seção Acervo Folha:

"Em cerimônia a ser realizada às 17h deste domingo, na Catedral da Sé, o cardeal dom Agnelo Rossi transmitirá o governo da Arquidiocese de São Paulo a dom Paulo Evaristo Arns, novo arcebispo metropolitano.

A solenidade será simples. Depois do fim da missa, segundo o responsável pelo cerimonial, o padre Hugo Munari, haverá uma recepção na residência episcopal, o palácio Pio 12, na Bela Vista, na região central de São Paulo".

Uma das primeiras providências de dom Paulo depois de assumir a Arquidiocese foi vender o palácio episcopal e investir o dinheiro em mutirões para a construção de moradias populares e centros de convivência na periferia da cidade.

A partir daí mudaria a vida não apenas da igreja de São Paulo. A atuação firme de dom Paulo na resistência à ditadura militar e na defesa dos direitos humanos, denunciando torturas e torturadores, teve um importante papel na reconquista da democracia e do Estado de Direito.

Hoje, para celebrar a data, o nome dele será lembrado na live "Dom Paulo e a esperança contra o bolsonarismo" promovida pela Associação Brasileira de Imprensa, Comissão Arns de Direitos Humanos e outras oito entidades.

Para acompanhar a live no Youtube da ABI, a partir das 18 horas, é só clicar no link: https://bit.ly/35ovsQ2.

Participarão do debate dom Angélico Bernardino, Margarida Genevois, Ivo Herzog, José Carlos Dias, padre Julio Lancelotti, Antonio Funari e Luiza Erundina, entre outros. O moderador será Ricardo Carvalho, da ABI.

Vida que segue.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.