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Aras dá cargo a sobrinha de seu braço direito na PGR

Procurador-geral da República, Augusto Aras, durante cerimônia em Brasília -
Procurador-geral da República, Augusto Aras, durante cerimônia em Brasília
Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

25/01/2020 04h00

O procurador-geral da República, Augusto Aras, nomeou a sobrinha de seu braço direito para um cargo comissionado no CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público). Ele contratou, sem concurso, Isadora Santiago, sobrinha do secretário-geral do MPU (Ministério Público da União), Eitel Santiago.

Formada em Relações Internacionais, Isadora Santiago está lotada na presidência do conselho, ocupada por Aras, com um salário de R$ 9.216,74. A nomeação foi divulgada em uma portaria do CNMP, no dia 12 de dezembro. Eitel é irmão de Amneres Santiago Pereira, mãe da nova contatada.

Com Isadora, sobe para quatro o número de pessoas nomeadas para cargos comissionados na nova gestão da PGR, com vínculos de amizade ou parentesco com a cúpula, identificadas pelo UOL. Conforme reportagem publicada na semana passada, Aras também nomeou para o órgão a advogada Ana Laura Pires de Sá Espinola, que atuou em processos judiciais com o seu pai, Roque Aras, na Bahia.

Já o secretário-geral do MPU empregou o advogado Vinícius Salomão de Aquino, amigo de seu filho, Rodrigo Clemente Pereira. Além da advogada Fernanda Monteiro Bronzeado, filha do promotor aposentado do Ministério Público da Paraíba, Valério Costa Bronzeado, que é amigo de Eitel e casado com uma prima do secretário-geral.

A procuradoria não quis responder aos questionamentos do UOL sobre a contratação de Isadora. A reportagem perguntou se a nomeação não configura conflito ético, ou nepotismo cruzado. Também questionou o motivo de uma pessoa formada em relações internacionais trabalhar como assessora no conselho do MP.

Na semana passada, a procuradoria havia respondido que os cargos em comissão "são de livre nomeação e exoneração em todas as esferas da administração pública", "observados tão somente os requisitos do ordenamento jurídico vigente".