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Felipe Moura Brasil

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Os Bolsonaro e o Mágico de Oroz

Arthur Lira e Jair Bolsonaro - Alan Santos/PR
Arthur Lira e Jair Bolsonaro Imagem: Alan Santos/PR
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Felipe Moura Brasil

Felipe Moura Brasil é âncora da BandNews FM e colunista do UOL. Vencedor do Prêmio Comunique-se na categoria Jornalista Influenciador Digital. Maior influenciador político do Brasil no Twitter, de acordo com estudo da empresa de big data Stilingue. Trabalhou nas revistas Veja e Crusoé, no site O Antagonista e na rádio Jovem Pan, onde também foi diretor de Jornalismo. Reúne suas várias frentes de trabalho em www.felipemourabrasil.com.

Colunista do UOL

30/09/2021 22h13

A TV Brasil, que Jair Bolsonaro prometeu extinguir, vai exibir filmes dos Trapalhões lançados entre os anos de 1970 e 1980.

O contrato de 225 mil reais firmado com a Renato Aragão Produções Artísticas LTDA não deve incluir, portanto, "Os Trapalhões e o Mágico de Oroz", lançado em 1984.

Mas, depois de Bolsonaro pedir "a Deus que mande uma chuva para a gente, porque essa crise hídrica é a maior nos últimos 91 anos", recomendo ao presidente que assista.

No filme, o sertanejo Didi (Renato Aragão), o Espantalho (Zacarias), o Homem-de-lata (Mussum) e o delegado Leão (Dedé Santana) são aconselhados pelo Mágico de Oroz a levar uma torneira gigante do Rio de Janeiro para resolver o problema da seca no Nordeste.

Eles levam a torneira gigante, mas frustram a população quando todos se dão conta de que ela não jorra água sem o seu encanamento.

Condenados pela farsa e amarrados pelas mãos e pelos pés a um pau-de-arara giratório, eles conversam até se convencerem de que ainda é possível trazer a chuva pela fé.

"Vamos todos pensar firme, vamos todos pensar forte, pra cair um pingo d'água e mudar a nossa sorte", repetem em coro.

O milagre então acontece: a chuva cai, a cidade festeja, eles são libertados e o filme termina com uma mensagem dos Trapalhões aos governantes brasileiros, escrita na tela:

"E choveu. Que a chuva que molhou o sofrido chão do Nordeste não esfrie o ânimo de nossas autoridades na procura de soluções para a seca."

Nossas autoridades não deram a mínima para Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. A seca agora é um problema nacional, que reduz o volume dos rios, atrapalha a geração de energia elétrica e faz o presidente elevar a tarifa, agravar a inflação e pedir ao povo para "apagar um ponto de luz" e "tomar banho frio".

Mas - enquanto a PGR bolsonarista recua de denúncia contra o poderoso chefão da Câmara, Arthur Lira, que ainda consegue emplacar alterações em causa própria na Lei de Improbidade Administrativa, com voto favorável do senador denunciado Flávio Bolsonaro - não devemos esfriar o ânimo na procura de soluções para o Brasil.

Vamos todos pensar firme, vamos todos pensar forte, pra cair um presidente e mudar a nossa sorte.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL