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Jamil Chade


Em meio à pandemia, criminosos fingem ser da OMS para aplicar golpes

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante entrevista coletiva em Genebra -
Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante entrevista coletiva em Genebra
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

22/03/2020 18h53

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta pouco comum neste domingo: criminosos têm se utilizado do símbolo da entidade ou têm dito que são funcionários na agência para, em meio à pandemia, roubar dinheiro ou informações privadas.

Diante da pior crise de saúde em 75 anos, a OMS passou ao centro das atenções internacionais. De sua sede em Genebra, a entidade comanda a operação de resposta à pandemia. Mas a fama também veio acompanhada por custos.

De acordo com o alerta, emails têm sido enviado a pessoas, com recados relativos ao coronavírus. O email, sempre com um logo ou referência à OMS, pede que as pessoas depositem dinheiro ou que enviem seus dados pessoais.

Nada disso, porém, é verdadeiro e a OMS alerta que os golpes têm proliferado.

A entidade não foi a única a sofrer diante de criminosos. Na Itália, grupos se disfarçaram de agentes sanitários para pedir que famílias deixassem seus apartamentos por algumas horas. A medida, porém, servia para que os criminosos roubassem todos os itens de valor do local, antes de desaparecer.

No caso da OMS, o esquema é global. "Os criminosos estão se disfarçando de OMS para roubar dinheiro ou informações sensíveis. Se você for contatado por uma pessoa ou organização que parece ser da OMS, verifique sua autenticidade antes de responder", alerta a entidade.

De acordo com a OMS, a entidade "nunca pedirá seu nome de usuário ou senha para acessar informações de segurança" e "nunca cobra dinheiro para concorrer a um emprego, inscrever-se para uma conferência ou reservar um hotel, nunca realiza loterias ou oferece prêmios, subsídios, certificados ou financiamento através de e-mail".

A única chamada para doações que a OMS emitiu é o Fundo de Resposta Solidária COVID-19. "Qualquer outro apelo para financiamento ou doações que pareça ser da OMS é um golpe", alerta.

Uma das constatações da OMS é de que, diante da nova emergência global, a pressão sobre as pessoas tem aumentado.

"A OMS está ciente de mensagens de e-mail suspeitas que tentam tirar proveito da emergência COVID-19. Esta ação fraudulenta é chamada de phishing", indicou.

"Estes e-mails de "Phishing" parecem ser da OMS, e irão pedir informações sensíveis, tais como nomes de utilizador ou palavras-passe. Usando este método, os criminosos podem instalar programas ou roubar informações confidenciais", apontou.

"Certifique-se de que o remetente tem um endereço de e-mail como 'person@who.int'. "Por exemplo, a OMS não envia e-mails de endereços terminados em '@who.com' , '@who.org' ou '@who-safety.org", esclarece.

A entidade também apela para que as pessoas não se apressem em responder. "Os cibercriminosos usam emergências como o Covid-2019 para fazer com que as pessoas tomem decisões rapidamente. Leve sempre tempo para pensar sobre um pedido para suas informações pessoais, e se o pedido é apropriado", sugere.

Jamil Chade