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Jamil Chade


Brasil tem segundo maior número de casos no mundo nos últimos 14 dias

Cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus - Foto:Michael Dantas/AFP
Cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus Imagem: Foto:Michael Dantas/AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

19/05/2020 08h41

O Brasil somou 146,4 mil novos casos do coronavírus nos últimos 14 dias, se posicionando como o segundo país com o maior número de registros neste período. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Centro Europeu para a Prevenção e Controle Doenças, uma agência oficial da UE.

No levantamento do organismo, o Brasil soma 254 mil casos desde o início da crise. A contagem dos últimos 14 dias serve, porém, para saber onde existe uma progressão forte e entender a geografia do vírus pelo mundo. O prazo de 14 dias ainda se refere ao período de incubação da doença.

Com os 146,4 mil casos nestas duas semanas, o Brasil superou a Rússia, que somou 145,4 mil casos. Mas Moscou ainda tem um total de 290 mil pessoas contaminadas desde o início da crise.

A liderança continua sendo dos EUA, com 327 mil casos em 14 dias e um total de 1,5 milhão de pessoas infectadas.

A participação do Brasil no total mundial representa mais de 10% dos novos casos. Nesses 14 dias, foram 1,2 milhão de registros pelo mundo.

Os números brasileiros superam com grande margem locais que eram considerados como epicentros da crise. Neste período, o Brasil registrou mais de dez vezes o número registrado na Itália (13 mil casos) e Espanha (11 mil novos casos).

Números importantes ainda foram registrados no Reino Unido, com 55 mil novos casos, e 54 mil na Índia. Na América do Sul, foram ainda 47 mil novos registros no Peru neste período.

Num comunicado emitido nesta terça-feira em Genebra, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) afirma estar preocupado com a situação dos indígenas no Brasil e na América Latina diante do coronavírus.

De acordo com o Acnur, uma situação especialmente preocupante é a dos indígenas. "Com a propagação da pandemia do Coronavirus pela América Latina, o ACNUR alerta que muitas comunidades indígenas deslocadas estão agora perigosamente expostas e em risco", disse a porta-voz Shabia Manto.

"Há quase 5 mil venezuelanos indígenas deslocados no Brasil, principalmente da etnia Warao, mas também das comunidades Eñapa, Kariña, Pemon e Ye'kwana", disse.

"Com a COVID-19 atingindo duramente esta região amazônica e o Brasil emergindo como um epicentro da pandemia, o ACNUR está preocupado que muitos possam lutar sem condições adequadas de saúde e saneamento", alertou a agência.

Pelas contas da OMS, o Brasil é o quarto local com maior número total de casos do coronavírus no mundo, somando desde o primeiro caso. Mas os dados são defasados. Pelo levantamento é da Universidade Johns Hopkins, o país aparece com 250 mil casos, na terceira colocação com mais notificações pela covid-19, atrás de Estados Unidos (1.506.732 casos) e Rússia (290.678 casos).

Jamil Chade