PUBLICIDADE
Topo

Josias de Souza

Brasil sofre com o caos mental do clã Bolsonaro

Luciana Amaral/UOL
Imagem: Luciana Amaral/UOL
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

25/11/2020 16h11

O governo de Jair Bolsonaro vai se transformando numa espécie de centro terapêutico para tratar a esquizofrenia do presidente e da família dele. A China leva os Bolsonaro para o divã. No seu penúltimo surto, Eduardo Bolsonaro escreveu no Twitter que o Brasil se afasta de tecnologia chinesa para o 5G, e que apoia iniciativa do presidente americano Donald Trump de criar uma aliança global sem espionagem da China para um 5G seguro.

Como disse o vice-presidente Hamilton Mourão num surto anterior, se o personagem se chamasse "Eduardo Bananinha" ninguém daria importância. Mas ele é filho do "Bananão". E o pai também produz polêmicas sobre a China com a mesma naturalidade com que a bananeira dá bananas. Ainda outro dia disse que a "vacina chinesa do João Doria" não é confiável.

A embaixada da China reagiu. Faltaram modos à resposta chinesa. Mas sobrou clareza. Afirmou-se que as manifestações do bananinha "solapam" as relações do Brasil com a China. Mantido o tom, disse a embaixada, os Bananas vão arcar com as consequências negativas e carregar a responsabilidade histórica de perturbar a normalidade da parceria China-Brasil. Os chineses sabem o que querem. O Brasil, talvez não.

Em maio de 2019, em visita à China, Mourão disse que via com bons olhos a atuação da Huawei, gigante do 5G chinês, no Brasil. Já havia a guerra China-Estados Unidos. O Brasil "não pode se atirar para um lado só de uma hora para a outra", disse o vice-presidente na ocasião, num lampejo de lucidez.

Em outubro do ano passado, após encontrar o presidente chinês Xi Jinping em Pequim, Bolsonaro disse que desejava "fortalecer" o comércio e "ampliar novos horizontes" nas relações com os chineses. Hoje, os Bolsonaro estão maníacos com a China e depressivos com a derrocada de Donald Trump. Seria um equívoco dizer que a primeira-família sofre de insanidade. Na verdade, os Bolsonaro se deliciam com ela. Quem sofre com o caos mental da família é o Brasil.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL