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Josias de Souza

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

A que temperatura ferve o doutor Paulo Guedes?

ADRIANO MACHADO
Imagem: ADRIANO MACHADO
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

20/02/2021 04h13Atualizada em 20/02/2021 17h44

Jair Bolsonaro deixou em polvorosa o Ministério da Economia ao submeter a Petrobras a um processo de pazuellização. Chama-se Joaquim Silva e Luna o novo Pazuello. Teme-se que o capitão queira reproduzir na estatal o modelo de gestão do Ministério da Saúde, baseado na metodologia do "um manda, o outro obedece".

O general Silva e Luna assume o comando da Petrobras e da política de preços dos combustíveis em meio a uma coreografia hemorrágica. A companhia perdeu R$ 28 bilhões em valor de mercado apenas nesta sexta-feira. Continuará sangrando no pregão de segunda-feira.

Metade da equipe de Paulo Guedes está nervosa porque o ministro diz que mantém o presidente da República sob controle, mas sabe que ele está mentindo e pode deixar o governo a qualquer momento.

A outra metade do time da Economia está nervosa porque Paulo Guedes diz que Bolsonaro está sob controle, e avalia que o ministro acredita mesmo na lorota, descartando a hipótese de bater em retirada de Brasília.

Paulo Guedes está nervoso porque não sabe se diz que dispõe de um "Plano B" que ainda não fez, se faz o "Plano B" e não diz, ou se chama o caminhão de mudança.

A Petrobras depende do organograma do Ministério de Minas e Energia, chefiado pelo almirante Bento Albuquerque. Na prática, porém, era Guedes quem dava as cartas. O afastado do comando da estatal, Roberto Castello Branco, é amigo de Guedes.

As contas nacionais, como se sabe, estão em desalinho. Se fosse prestigiado por Bolsonaro, Guedes teria enorme dificuldade para colocar a casa em ordem. Mantido pelo presidente num jogo de gato e rato, pode perder as estribeiras.

De Bolsonaro não se espera senão um populismo reeleitoral do tipo que subordina a saúde financeira da maior estatal do país aos humores dos caminhoneiros. A grande dúvida nacional é a seguinte: a que temperatura ferve o doutor Paulo Guedes?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL