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Josias de Souza

Antibolsonaristas mostram que união faz a farsa

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

13/09/2021 09h15

Se as manifestações mixurucas do domingo serviram para alguma coisa foi para potencializar a impressão de que a união das forças antibolsonaristas faz a farsa. O golpismo exibido por Bolsonaro no 7 de Setembro havia devolvido o impeachment à vitrine. O desinteresse e a incapacidade da oposição de se unir empurra a ferramenta novamente para o fundo da loja.

Verificou-se que o único segmento realmente interessado no impeachment é o centrão. Não para derrubar Bolsonaro, mas para chantageá-lo, elevando o custo da blindagem no Legislativo.

Numa evidência de que interessa a Lula manter um Bolsonaro fraco no Planalto, o PT e os movimentos sociais que gravitam ao seu redor decidiram se ausentar das ruas neste domingo. Alega-se que os organizadores —MBL, Vem pra Rua e Livres— mobilizaram-se pelo impeachment de Dilma. Conversa mole.

O centrão também conspirou contra Dilma. E Lula tricota para restabelecer o diálogo com os principais caciques do grupo, hoje vinculados a Bolsonaro.

Organizados há dois meses, os atos de 12 de setembro tinham um slogan eleitoral: "Nem Lula, nem Bolsonaro." Na última hora, tentou-se colocar em pé o mote "Fora, Bolsonaro", mais agregador. Era tarde. O cheiro de terceira via tornou-se mais forte do que a defesa da democracia.

Discursaram na Avenida Paulista personagens como João Doria, Ciro Gomes, Henrique Mandetta e João Amoedo. A desarticulação entre eles reforça a percepção de que a terceira via tem excesso de cabeças e carência de miolos. O petismo padece da mesma moléstia. A diferença é que tem uma cabeça só. Lula conserva sua vocação hegemônica.

A desorganização dos adversários oferece a Bolsonaro a oportunidade de cavalgar a carta-rendição escrita por Michel Temer fazendo pose de moderado. A moderação vai durar apenas até a próxima crise. Que pode ocorrer nos próximos cinco minutos.

O PT e seus operadores sociais se equipam para voltar às ruas. Já demonstraram que têm grande capacidade de mobilização. Mas o objetivo é o de exibir a musculatura eleitoral de Lula, não derrubar Bolsonaro.

Lula é, hoje, o maior interessado na permanência de Bolsonaro no Planalto.