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Josias de Souza

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

É cada vez menor a chance de Lula derrotar Bolsonaro no primeiro turno

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

03/08/2022 10h34

Saiu mais uma pesquisa presidencial Genial/Quaest. Apresenta um quadro de estabilidade. A maioria das variações ocorreu dentro da margem de erro de dois pontos. Mas convém qualificar a estabilidade. A vantagem de Lula decresce em conta-gotas, na proporção direta da lenta e gradual ascensão de Bolsonaro. O favoritismo do presidenciável do PT ainda é eloquente. Mas a perspectiva de uma vitória no primeiro turno sobre o capitão vai virando fumaça.

Lula, com 44% das intenções de voto, escorregou um ponto para baixo. Bolsonaro, com 32%, oscilou um ponto para cima. A diferença entre os dois caiu de 14 pontos no mês passado para 12. Essa distância era de 17 pontos em maio. Em junho, 16. Num cenário de segundo turno, Lula desce dois degraus, oscilando negativamente de 53% para 51%. Bolsonaro cresce acima da margem de erro, que é de dois pontos. Foi de 34% para 37%.

A essa altura, a principal novidade que se esconde atrás da estabilidade das sondagens eleitorais é a capacidade de resistência de Bolsonaro. Tomadas individualmente, as oscilações percentuais de cada pesquisa são, por assim dizer, estatisticamente negligenciáveis. Consideradas em conjunto, as sondagens vão desenhando uma tendência que empurra a disputa para o segundo round.

Bolsonaro resiste às intempéries da conjuntura —das mortes na Amazônia ao escândalo no MEC, dos desvios do orçamento secreto à execução do tesoureiro petista em Foz do Iguaçu por um devoto do bolsonarismo. O capitão sobrevive até às crises que ele mesmo produz ao desqualificar as urnas e atacar magistrados.

Para completar, o governo começa a despejar nos próximos dias no bolso dos brasileiros em apuros os mais de R$ 40 bilhões proporcionados pelo aumento do Auxílio Brasil e do vale-gás, além do socorro a caminhoneiros e taxistas. É improvável que as benesses resultem numa explosão de votos para Bolsonaro. Mas a lógica indica que o conta-gotas das pesquisas pode continuar favorecendo o presidente.

O que vem por aí é um segundo turno sangrento e lamacento. Confirmando-se a tendência favorável a Lula, a vitória do petista tende a ser menos consagradora do que o petismo gostaria. Isso leva água para o moinho do Apocalipse que Bolsonaro prepara para o final do ano. E estimula nos membros do centrão a confiança de que, seja qual for o resultado, o grupo não perde por esperar. Ganha. Quanto menor for o triunfo do eleito, maiores serão as perspectivas de negócio da turma que percorre os corredores do Congresso com código de barras na lapela.