Na bica de virar réu, Bolsonaro receia o que pode vir do Japão
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Na véspera do início do julgamento sobre a denúncia da trama golpista, Bolsonaro mostra-se resignado com sua futura condição de réu. Considera perdida a batalha jurídica. Concentra-se no embate político. Disse a um aliado estar mais "receoso" com o que se passa no Japão do que com o que está por vir na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.
Diante do estranhamento do interlocutor, Bolsonaro trocou seu raciocínio em miúdos. Do Supremo, não espera surpresas. Dá de barato que a denúncia do procurador-geral Paulo Gonet será convertida em ação penal. Receia ser surpreendido por acordos subterrâneos costurados à margem da viagem de Lula ao Japão.
Lula embarcou para Tóquio no final de semana. Sua comitiva inclui os presidentes da Câmara e do Senado —Hugo Motta e Davi Alcolumbre—, além dos antecessores Arthur Lira e Rodrigo Pacheco. Para Bolsonaro, a proximidade da cúpula do Congresso com Lula é um prenúncio de que o projeto de anistia, uma de suas prioridades, continuará andando de lado no Legislativo.
Apoiado com vigor pela direita bolsonarista e combatido energicamente pelas legendas de esquerda, o perdão para os envolvidos no 8 de Janeiro está nas mãos do centrão. Fiel da balança, o blocão oscila entre os cofres do governo Lula e a articulação de uma opção conservadora para 2026.
Bolsonaro guerreia pela anistia em benefício próprio. Para prevalecer no Congresso, terá que superar a dificuldade para convencer antigos aliados de que a mobilização pró-anistia pode ser politicamente rentável também para o centrão.
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