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Leonardo Sakamoto

REPORTAGEM

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CPI é 'faca no pescoço' para que governo combata a pandemia, diz Randolfe

27.abr.2021 - O vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP); o presidente, senador Omar Aziz (PSD-AM), e o relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL) - Edilson Rodrigues/Agência Senado
27.abr.2021 - O vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP); o presidente, senador Omar Aziz (PSD-AM), e o relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL) Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Colunista do UOL

10/05/2021 15h44

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A CPI da Pandemia já produziu resultados positivos no combate à pandemia de covid-19 e a prova disso é que o Palácio do Planalto está se esforçando em dizer que ela "não dará em nada" para esconder que agiu sob pressão. A avaliação foi feita à coluna pelo vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

"Graças à CPI, o governo Bolsonaro anunciou que vai comprar mais 100 milhões de doses da vacina da Pfizer. Além disso, mais de 350 vídeos que defendiam cloroquina e tratamento precoce e atacavam o uso de máscaras foram retirados do YouTube e o novo ministro da Saúde está defendendo medidas sanitárias como uso de máscaras e o distanciamento social", afirma Randolfe.

A informação de que a cúpula do governo avalia que as investigações não darão em nada foi publicada por Thaís Oyama, colunista do UOL, nesta segunda (10). Na avaliação do Planalto, a preocupação dos brasileiros seria apenas com emprego e vacina.

"A propósito, esta será a semana da vacina na CPI. Amanhã, vamos questionar o presidente da Anvisa, na quarta, o ex-chefe da Secom e, na quinta, a Pfizer ", afirma Randolfe.

Antonio Barra Torres, que está à frente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária falará à comissão, na manhã desta terça (11). Na pauta, o processo de aprovação de imunizantes no Brasil, inclusive o da russa Sputnik V.

Na quarta (12), é a vez de Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, que criticou o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, pela incompetência na compra de vacinas no ano passado. E, na quinta (13), será a vez de representantes da Pfizer, que fizeram uma oferta de 70 milhões de doses negada pelo governo Bolsonaro em 2020.

Para o senador, "a CPI acabou se tornando uma importante medida sanitária para intimidar o negacionismo do governo Jair Bolsonaro". Para ele, "ela está sendo uma 'faca no pescoço' para que o governo comece a fazer as coisas certas, ou seja, combater a pandemia e evitar mortes".

Na sua opinião, a CPI está cumprindo o papel que deveria ser do procurador-geral da República, Augusto Aras.

"Durante um ano, ficou morrendo gente e ninguém investigou nada. Como o PGR estava deitado em berço esplêndido, agora a CPI inaugurou inquérito e investigação de peso. Daí, o governo tem que investir nesse argumento de que ela não dará em nada", diz o senador.

Na avaliação de Randolfe, a principal medida da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga as ações e omissões do governo federal na pandemia, bem como desvios em repasses federais a Estados e municípios relacionados à covid, é sanitária e não punitiva.

"A punição será decorrência do que for encontrado. Mas o objetivo é garantir que o governo federal tome medidas para evitar que pessoas continuem morrendo."

E, ironizando o governo, conclui: "Se eles têm certeza de que não vai dar em nada, o presidente não precisava falar da CPI na live e não precisava de treinamento com o Pazuello, que, aliás, acabou remarcando o depoimento".