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Leonardo Sakamoto

Boulos acusa 'milícia digital' por alteração ilegal de seu cadastro no SUS

Guilherme Boulos (PSOL) é vacinado contra a Covid-19 em São Paulo - Reprodução/Twitter Guilherme Boulos
Guilherme Boulos (PSOL) é vacinado contra a Covid-19 em São Paulo Imagem: Reprodução/Twitter Guilherme Boulos
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

19/07/2021 12h55Atualizada em 19/07/2021 18h46

Guilherme Boulos, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), teve seu registro no Sistema Único de Saúde (SUS) atacado, com alterações em seus dados cadastrais e ofensas à sua família.

"Não é um caso isolado. É um absurdo que tenha ocorrido alteração de dados de cadastro do SUS de lideranças de oposição", afirmou à coluna o pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PSOL. "O que leva à dúvida se isso é um hackeamento independente ou se são bolsonaristas que tomaram a máquina pública de assalto."

O nome de seu pai, o infectologista Marcos Boulos, integrante do comitê de contingenciamento do coronavírus no estado, foi trocado para "Kid Bengala". Imagens suas em protestos contra despejos foram colocadas como fotografias de identificação.

De acordo com ele, a informação de que já tomou a primeira dose da vacina contra covid-19 não aparece no registro, como é de praxe.

Em resposta à coluna, o Ministério da Saúde afirmou que "verificou uma alteração na base do CNS [Cartão Nacional de Saúde] realizada por uma pessoa credenciada para utilizar o sistema de cadastro de dados". E informou que "já foi solicitado o bloqueio da credencial usada nestas ações".

A pasta também disse que as informações de vacinação disponibilizadas dependem dos registros enviados por estados e municípios. "Caso não esteja disponível após 10 dias da imunização, o Ministério orienta que o cidadão procure a unidade de saúde."

O caso acontece após a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, ter lutado para provar que estava viva a fim de concluir a vacinação contra covid-19. Após receber a primeira dose, profissionais de saúde entraram em contato com a deputada federal informando que seu cadastro no SUS havia sofrido baixa por óbito.

"Ressuscitei no cadastro do SUS. Agora estou bem viva, meu CNS foi corrigido. Quero agradecer o empenho e atenção do pessoal do Centro de Saúde n° 5, Lago Sul, em Brasília, que se dedicou para corrigir. Vamos cobrar e acompanhar as investigações do Ministério da Saúde", tuitou Gleisi Hoffmann no dia 15, dois dias após o caso se tornar público.

Ataques de hackers também alteraram o cadastro dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (PT) e da ex-deputada federal Manuela d'Ávila, acrescentando xingamentos e distorcendo seus registros no ano passado.

"Temos visto pela CPI da Covid a forma como se dá a negociação de vacinas no Ministério da Saúde. Em meio a isso, há ataques à oposição através do cadastro do SUS", avalia.

"O bolsonarismo está se infiltrando de uma maneira miliciana em todos os âmbitos da administração pública. Está colocando as garras das milícias digitais, do Gabinete do Ódio, no SUS, patrimônio do povo brasileiro", afirma Boulos.