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Leonardo Sakamoto

Pesquisa: Bolsonaro é principal opção de eleitores de Moro caso ele desista

Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

12/01/2022 10h57Atualizada em 12/01/2022 19h40

O presidente Jair Bolsonaro (PL) é a principal alternativa apontada pelos eleitores de seu ex-ministro Sergio Moro (Podemos), de acordo com pesquisa Genial Quaest divulgada nesta quarta (12). E apesar de elencar o combate à corrupção como seu principal tema, Moro conta com apenas 10% das intenções de voto entre os que consideram este o maior problema do país.

Do total dos eleitores de Moro, 22% escolheriam Bolsonaro, 15% optariam por Lula (PT), 11% pelo ex-governador Ciro Gomes (PDT), 7% pelo governador João Doria (PSDB) e pela senadora Simone Tebet (MDB), 3% pelo presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD) e 1% por Felipe D'Ávila (Novo), no primeiro turno, segundo a pesquisa.

Entre os principais candidatos, Moro é o único com eleitores que apontam Jair Bolsonaro como a principal alternativa de voto. Entre os eleitores de Lula, 28% votariam em Ciro; os de Ciro, em Lula (40%); os de Doria, em Lula (25%) e Moro (19%). A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

No segundo turno, 36% dos eleitores de Moro votariam em Bolsonaro e 26% em Lula, enquanto 58% dos eleitores de Ciro e 50% dos de Doria escolheriam Lula e 16% e 23%, respectivamente, iriam com Bolsonaro.

A análise sobre a segunda opção é um dado relevante trazido pela pesquisa Quaest considerando que as pré-candidaturas tentam se firmar. Nenhum dos que pleiteiam a disputa ao Palácio do Planalto vai reconhecer que pode desistir da corrida, mas isso deve acontecer com vários nomes.

Há a expectativa, por exemplo, de que, caso não alcance números para se tornar competitivo, Moro busque uma vaga ao Senado Federal. Nesse caso, os votos dele migrariam para outros candidatos, tendo Bolsonaro à frente.

Moro tem só 10% entre os que elegem corrupção maior problema

Apesar de ter escolhido o combate à corrupção como seu principal tema de pré-campanha, Sergio Moro conta com apenas 10% das intenções de voto entre aqueles que consideram este o maior problema do país. Enquanto isso, Bolsonaro recebe 36%, Lula 32%, Ciro 5% e Doria 2%.

Pesquisas não são previsões do futuro, mas retratos do momento. Se a eleição fosse hoje, segundo a Quaest, o ex-presidente Lula poderia vencer no primeiro turno com 45%, seguido por Bolsonaro (23%), Moro (9%), Ciro (5%), Doria (3%), Tebet (1%). Pacheco e D'Ávila não pontuaram. A soma dos concorrentes de Lula é de 41%, o que levaria a um empate no limite da margem de erro.

Na pesquisa de resposta espontânea, que mostra o voto mais consolidado, que está na ponta da língua do eleitor, Lula foi de 23% para 27% entre dezembro e janeiro, enquanto Bolsonaro passou de 15% para 16%, Moro de 2% para 1% e Ciro manteve-se com 1%.

Isso mostra um fortalecimento de Lula, mas também resiliência de Bolsonaro que, apesar das más notícias relacionadas à economia e à pandemia, mantém-se estável junto ao seu eleitorado.

Avaliação positiva de Bolsonaro sobe entre quem recebe Auxílio Brasil

O presidente aposta na força do pagamento do Auxílio Brasil (o antigo Bolsa Família) no valor mínimo de R$ 400 para alavancar sua popularidade entre os mais pobres até a eleição.

A pesquisa Quaest apontou que, entre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos que recebem o Auxílio Brasil, a avaliação negativa de Bolsonaro caiu de 63%, em novembro, para 53%, em janeiro.

Enquanto isso, a avaliação regular subiu de 22% para 28% e a positiva, de 13% para 17%, no mesmo período.

Na região Nordeste, a avaliação negativa do governo Bolsonaro caiu de 61% em dezembro para 56%, e no Norte, de 50% para 42%. Enquanto isso a desaprovação subiu nas regiões Centro-Oeste (44% para 48%), Sudeste (46% para 49%) e Sul (40% para 48%).