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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Paulistão retrata nova realidade do negócio de direitos esportivos na TV

Equipe da Record TV para o Paulistão 2022 - Reprodução / Internet
Equipe da Record TV para o Paulistão 2022 Imagem: Reprodução / Internet
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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

21/01/2022 17h25

Os campeonatos estaduais de futebol podem já não ter o mesmo charme do passado, mas ainda despertam interesse do torcedor e movimentam negócios importantes. O Paulistão, em especial, se tornou exemplo da nova realidade do negócio de direitos esportivos na TV.

Cinco empresas diferentes vão exibir jogos do torneio em 2022: Record (TV aberta), HBO Max/TNT, Premiere, You Tube e Paulistão Play. É uma fragmentação do mercado inédita no Brasil, e que reproduz uma situação que já ocorre nos Estados Unidos, na disputa dos direitos de exibição dos campeonatos de basquete e futebol americano.

A Record adquiriu os direitos de exibição de 16 partidas. Vai começar neste domingo (23) com Novo Horizontino e Palmeiras. O canal vai exibir ainda outros 11 jogos na primeira fase, um das quartas de final, uma semifinal e as duas finais. A emissora venceu uma concorrência disputada no ano passado com Globo e SBT.

A Record, que também exibirá o Carioca, está animadíssima, com razão. Já conta com quatro patrocinadores (Betfair, Claro, Ipiranga e McDonald's), montou uma equipe grande, com narradores, comentaristas e repórteres, entre os quais Marcio Canuto além de um time para transmissão digital, capitaneado pelo veterano Silvio Luiz. Vai também exibir aos sábados pela manhã o "Esporte Record", um novo programa esportivo comandado por Fred Ring (SP) e Mylena Ciribelli (RJ).

O YouTube também exibirá gratuitamente 16 jogos na internet. Assinantes de HBO Max e TNT terão acesso a 28 jogos, 13 deles com exclusividade. O Premiere, canal de pay per view da Globo, comprou os direitos de 97 partidas. Apenas 13 jogos não estarão neste pacote: um por rodada da primeira fase, e um das quartas de final, que são exclusivos da HBO Max. E a própria Federação Paulista, por meio da sua plataforma Paulistão Play, venderá um pacote de 97 jogos para assinantes.

Veja aqui quais as partidas serão transmitidas e onde assistir

Após exercer no passado recente um domínio quase completo sobre este mercado, comprando direitos para exibição de competições na TV aberta, na TV por assinatura e no streaming, a Globo decidiu rever vários contratos milionários. E assim perdeu ou abriu mão nos últimos anos dos direitos do Paulista, Carioca, Libertadores, Fórmula 1, Champions League e Copa América. Record, SBT e Band ocuparam o espaço deixado na TV aberta.

Como escreveu o colunista Rodrigo Mattos, a Globo tem limites de caixa. Já entendeu que não pode conseguir pagar qualquer preço por um produto. Com isso, tem de estabelecer prioridades. Neste cenário de restrições, o foco da emissora é priorizar competições nacionais e internacionais. A emissora fez uma proposta pelo Paulista, mas o valor a que chegaram concorrentes estava acima do que pretendia pagar. Por isso, perdeu a concorrência.