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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Netflix agora enfatiza variedade de "sotaques" de suas produções no Brasil

Cartões de visita da nova safra de séries brasileiras da Netflix: Edmilson Filho ("O Cangaceiro do Futuro"), Lucy Alves ("Só Se Foi por Amor"), Bruna Marquezine ("Maldivas"), Seu Jorge ("Irmandade 2") e Debora Nascimento ("Olhar Indiscreto")  - Divulgação
Cartões de visita da nova safra de séries brasileiras da Netflix: Edmilson Filho ("O Cangaceiro do Futuro"), Lucy Alves ("Só Se Foi por Amor"), Bruna Marquezine ("Maldivas"), Seu Jorge ("Irmandade 2") e Debora Nascimento ("Olhar Indiscreto") Imagem: Divulgação
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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

13/04/2022 14h53

Maior plataforma de streaming do mercado, a Netflix anunciou nesta quarta-feira (13) uma dezena de séries e filmes brasileiros que pretende estrear ainda em 2022. O evento online para jornalistas foi apresentado pela atriz Sheron Menezes e a palavra mais mencionada foi "sotaques".

O cardápio divulgado obedece a um novo conceito, divulgado em novembro do ano passado, chamado de "Mais Brasil na Tela", e reflete a intenção de enfatizar, tanto para o público interno quanto externo, a diversidade da produção do país.

Ao comunicar no final de 2021 o que está por trás do projeto de Mais Brasil na Tela, a Netflix sugeriu um novo olhar sobre o mercado nacional. Não falou mais, como vinha fazendo, em levar uma visão do Brasil para o mundo, mas em "encontrar personagens e tramas com as quais (os brasileiros) consigam se identificar e ver a pluralidade do Brasil na tela".

Como afirmou, na ocasião, Elisabetta Zenatti, vice-presidente de conteúdo da empresa para o Brasil, "os brasileiros querem mais histórias contadas por diferentes vozes, que reflitam suas vidas, suas raízes e sua ancestralidade". Ela disse ainda: "Por isso, nossa ambição será fazer cada vez mais histórias da gente para a gente, cujo sucesso estará em produzir a melhor versão, de forma que se conectem com mais audiências ao redor do Brasil".

Um exemplo deste novo foco da empresa foi o anúncio sobre a segunda temporada de "Cidade Invisível". A série de Carlos Saldanha traz um detetive (Marco Pigossi) investigando crimes ambientais num mundo repleto de figuras mitológicas do folclore brasileiro, como Cuca, Iara, Curupira, Saci e Tutu. A primeira temporada, ambientada no Rio, transmitiu muita artificialidade. Agora, a história se passará em Belém.

O cearense Halder Gomes, diretor do filme "Cine Holliúdy", apresentou a série "O Cangaceiro do Futuro", que será exibida este ano. "É uma das produções que expressam a diversidade brasileira", disse Sheron Menezes. Segundo a sinopse divulgada pela Netflix, "Virguley (Edmilson Filho) é um cabra frouxo, enrolado e sem moral, que vive em absoluto perrengue em São Paulo e sonha em voltar rico para o Nordeste. A certa altura, ele vai parar em 1927, no meio do cangaço, onde é confundido pela população local como o verdadeiro Lampião".

Outra novidade que reproduz esta busca por novos cenários é "Só Se Foi por Amor", uma série inspirada no sertanejo sofrência e ambientada em Goiás. "Vai ter sotaques do Brasil inteiro", prometeu a atriz Lucy Alves, uma das protagonistas da produção.

Mesmo ao falar de uma série ambientada em São Paulo, como "Irmandade", cuja segunda temporada estreia este ano, a Netflix quis enfatizar a diversidade dos protagonistas. "Muita alegria poder fazer a Darlene com meu sotaque lá de Pernambuco", disse a atriz Hermila Guedes.

Além da terceira temporada de "Sintonia", a periferia de São Paulo também vai aparecer com destaque num documentário sobre os Racionais com direção de Juliana Vicente, fundadora da Preta Portê Filmes. Os quatro integrantes do grupo deram entrevistas exclusivas para o filme.

Ainda em São Paulo, com Debora Nascimento e Emanuelle Araújo, se passa o thriller feminino "Olhar Indiscreto", criado e escrito pela argentina Marcela Citterio, com mulheres também nas principais funções da produção.

Num aceno ao universo digital, a criadora de conteúdo Ademara e a atriz Mel Maia fazem o papel de irmãs numa série de comédia cujo enredo gira em torno do conflito entre a vida real e o mundo das redes sociais.

Mas o maior destaque parece ser "Maldivas", uma "dramédia" escrita por Natalia Klein, com Bruna Marquezine como protagonista. Ela interpreta uma moça do interior que chega ao Rio para investigar a morte da mãe num condomínio de luxo na Barra da Tijuca. Todas as moradoras, interpretadas por Manu Gavassi, Carol Castro e Sheron Menezes, são suspeitas do crime.

Para não deixar dúvidas sobre a mensagem que queria passar, dias antes desta apresentação, a Netflix enviou aos jornalistas convidados uma cortesia contendo amostras de produtos gastronômicos de diferentes regiões do país, de geleia de cupuaçu a biscoito Globo, passando por rapadura, castanha de caju, café, queijo e biscoito da confeitaria Colombo.