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Mauricio Stycer

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Casagrande diz que há um muro entre ele e Leifert: "Futebol é muito sério"

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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

07/07/2022 11h56

Convidado pelo apresentador Kennedy Alencar, no UOL Entrevista, a dizer em poucas palavras o que pensa de Tiago Leifert, Walter Casagrande resumiu assim: "Tiago é o Tiago Leifert. E eu sou o Walter Casagrande Jr. Acho que tem um muro de Berlim nessa história".

Mais claro, impossível. Leifert representa um lado na cobertura de esporte na televisão e Casagrande expressa uma outra visão, radicalmente antagônica.

Quem me lê com alguma frequência, sabe que estou do mesmo lado do muro que Casagrande. Entendo que o esporte é um elemento da realidade, que ajuda a explicar o mundo, o país, a tua cidade, o teu quintal.

Não é possível olhar para uma partida de futebol sem pensar nas muitas conexões que tem com o mundo real. O futebol é um reflexo, como tantos outros, do mundo em que vivemos.

No início da entrevista, Casagrande falou explicitamente sobre esta questão essencial.

Disse lamentar que a cobertura esportiva esteja dando espaço demais para fofocas de redes sociais.

No caso da Globo, em especial, observou que houve uma mudança no comando e no perfil da área. Ao se afastar do jornalismo, o esporte da emissora passou a flertar abertamente com o entretenimento.

Sem mencionar Leifert, ou qualquer outro apresentador ou comentarista, Casagrande disse: "Tenho um bom humor, mas na hora que apareço na tela, não sou engraçado. Nem quero ser engraçado. Meu papel não é ser engraçado. É dar opinião."

Disse ainda: "O esporte da Globo hoje está mais próximo do entretenimento. Um entretenimento despojado, mais divertido. E eu acho, sinceramente, que o futebol é muito sério no Brasil. Porque mexe com a parte social e política do país. Sempre mexeu. Não é uma coisa engraçada. É muito sério."