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Reinaldo Azevedo

Pfizer nega venda de vacinas a empresários de MG. Qual será o mistério?

Dado Ruvic/Reuters
Imagem: Dado Ruvic/Reuters
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Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

24/03/2021 20h49

Reportagem da revista piauí informa que um grupo de empresários de Minas, ligado ao setor de Transportes, teria conseguido comprar vacinas da Pfizer, recebendo o imunizante ao arrepio da legislação vigente no Brasil.

A Pfizer Brasil acaba de divulgar uma nota em que nega que tenha efetuado a venda das vacinas. Segue a íntegra.

Em relação às supostas doses da vacina COMIRNATY, contra a COVID-19, aplicadas em Belo Horizonte, esclarecemos:
- A Pfizer nega qualquer venda ou distribuição de sua vacina contra a COVID-19 no Brasil fora do âmbito do Programa Nacional de Imunização. O imunizante COMIRNATY ainda não está disponível em território brasileiro.

- A Pfizer e a BioNTech fecharam um acordo com o Ministério da Saúde contemplando o fornecimento de 100 milhões de doses da vacina contra a COVID-19 ao longo de 2021.

Pfizer Brasil

RETOMO
Quem conhece as graves responsabilidades de uma empresa da dimensão da Pfizer tem razões para acreditar que o comunicado fala a verdade, o que só faz aumentar, então, o mistério.

De onde teriam surgido as vacinas?

Mas houve mesmo vacinação? Reproduzo trecho da reportagem:
"Segundo pessoas que se vacinaram na ocasião, os organizadores foram os irmãos Rômulo e Robson Lessa, donos da viação Saritur. Uma garagem de uma empresa do grupo foi improvisada como posto de vacinação. A Piauí telefonou e mandou mensagem para Rômulo Lessa, que não respondeu. A revista atualizará a reportagem se obtiver resposta.

O ex-senador Clésio Andrade, ex-presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), foi um dos agraciados. "Estou com 69 anos, minha vacinação [pelo SUS] seria na semana que vem, eu nem precisava, mas tomei. Fui convidado, foi gratuito para mim", disse ele à piauí."

Não é, como se nota, uma reportagem com base no "ouviu-se dize que..." Um dos vacinados confessa ter recebido o imunizante.

Ou já há, então, um mercado paralelo de vacinas, desviadas de compradores legais, ou, sei lá, aquilo que foi aplicado em Clésio era um sorinho inócuo...

O Congresso aprovou, de fato, uma lei que permite a compra de vacinas pela iniciativa privada. Até que não se imunizem os grupos de risco, tudo deve ser entregue ao SUS. Vencida essa etapa, 50% dos lotes eventualmente comprados devem ser doados ao poder público.

Qualquer outra compra, portanto, é ilegal.

Estamos, pois, diante de um mistério.