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Na Folha: Além de não ter derretido, Bolsonaro é competitivo e pode vencer

Bolsonaro usa gravata rosa no Dia Internacional da Mulher numa tentativa de homenagem... No discurso, disse que as mulheres estão “praticamente integradas à sociedade”. Nesse caso, foi uma tentativa de elogio - Ueslei Marcelino/Folhapress
Bolsonaro usa gravata rosa no Dia Internacional da Mulher numa tentativa de homenagem... No discurso, disse que as mulheres estão “praticamente integradas à sociedade”. Nesse caso, foi uma tentativa de elogio Imagem: Ueslei Marcelino/Folhapress
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Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

11/03/2022 08h20

Leiam trechos da coluna na Folha de hoje:
*
Chegamos a meados de março, e a candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição não derreteu como muitos previam. Nunca apostei nessa possibilidade, como sabem os que me acompanham aqui e alhures. Ao contrário: escrevi, e mantenho a avaliação, que ele deve chegar competitivo ao segundo turno. Subestimá-lo, ignorando a arena sanguinolenta das redes sociais em que também se trava a disputa, foi o erro mais tolo cometido em 2018. Por "competitivo", entenda-se: o presidente pode ser reeleito. Lula parece ter a mesma avaliação. Em encontro com lideranças femininas na manhã desta quinta (10), foi direto: "A luta não será fácil. Não existe essa do 'já ganhou'. Eleição, a gente só sabe o resultado depois da apuração". A fala do petista apela ao risco real da derrota para justificar as alianças, inclusive com quem defendeu o impeachment. O provável vice na chapa, Geraldo Alckmin, foi escolhido antes que este definisse o partido em que vai ingressar.
(...)
Lula nunca acreditou que Bolsonaro seria tragado ou pela ruindade do seu governo ou por vagas de opinião. Poucos políticos têm um ouvido aguçado como o seu para ouvir a voz das ruas --mesmo a das ruas virtuais de hoje em dia. O petista deve ter percebido uma evidência sobre a qual a nossa sociologia até agora não se debruçou: a direita brasileira nunca deu à luz uma personagem com as características do atual presidente. Assim como a esquerda, antes, nunca tinha produzido um... Lula. Em muitos aspectos, os embates ideológicos brasileiros, e assim foi até a redemocratização, eram um confronto de elites mais ou menos letradas. Lula foi o primeiro esquerdista brasileiro cuja linguagem era realmente compreendida pelo chamado "chão da fábrica", como se dizia ao tempo em que emergiu como liderança. Não cabem aqui as minudências, mas o marxismo nativo das décadas de 70 e 80 torcia o nariz para ele e para o que considerava suas "simplificações". Tanto o conservadorismo como o reacionarismo brasileiros, que entendo distintos -- mas as diferenças são irrelevantes para o que vou apontar--, sempre foram um tanto envergonhados. Esse pudor, é certo, poupava os ouvidos mais sensíveis das barbaridades que Bolsonaro engrola, mas a delicadeza do discurso era só a máscara suave da truculência.
(...)
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