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Rubens Valente

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Adélio é objeto de mais uma fake news, agora sobre falso "depoimento"

Adélio Bispo de Oliveira confessou ter esfaqueado Jair Bolsonaro - Ricardo Moraes - 8.set.18/Reuters
Adélio Bispo de Oliveira confessou ter esfaqueado Jair Bolsonaro Imagem: Ricardo Moraes - 8.set.18/Reuters
Rubens Valente

Rubens Valente é repórter desde 1989 e há 10 anos atua em Brasília. Nasceu no Paraná e trabalhou em órgãos da imprensa de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde se formou em jornalismo na UFMS (Universidade Federal do MS). É autor de "Operação banqueiro" (Geração Editorial, 2014) e "Os fuzis e as flechas - história de sangue e resistência indígena na ditadura militar" (Companhia das Letras, 2017). Recebeu 17 prêmios nacionais e internacionais, incluindo o Prêmio Esso de Reportagem, dois Prêmios de Excelência Jornalística da SIP (Sociedade Interamericana de Jornalismo) e dois Grandes Prêmios Folha.

Colunista do UOL

14/02/2022 14h12Atualizada em 14/02/2022 14h41

A coluna apurou junto a três fontes que têm conhecimento do caso criminal que é uma fake news o boato que circula em redes sociais nesta segunda-feira (14) de que Adélio Bispo de Oliveira teria prestado um "depoimento" no qual teria incriminado um partido político como suposto "mandante". As fontes informaram que é uma invenção completa, sem a mínima base factual.

No início da tarde, consultada pela coluna, a Polícia Federal confirmou que o suposto dado divulgado nas redes sociais "não procede".

O nome do partido e outros detalhes do boato não serão aqui divulgados para não ampliar a fake news. A mentira foi primeiro divulgada no sábado (12) num perfil anônimo hospedado no Twitter e nesta segunda-feira atingiu escala entre os assuntos mais comentados naquela rede social no Brasil.

Autor da facada contra o então candidato Jair Bolsonaro em Juiz de Fora (MG) durante a campanha eleitoral de 2018, Adélio é mantido desde setembro de 2018 em uma cela da Penitenciária Federal de Campo Grande (MS). A investigação da Polícia Federal concluiu que ele agiu sozinho, sem supostos mandantes. Ele jamais declarou que tenha agido por ordem de qualquer mandante; disse que atacou Bolsonaro por decisão própria.

Ainda que agora quisesse prestar um novo "depoimento" — o que é negado, é uma fake news —, nunca seria como testemunha ou réu, já que foi diagnosticado repetidas vezes como portador de transtorno mental e é considerado pela Justiça Federal como inimputável, isto é, incapaz de responder pelos seus atos. Ele seria no máximo ouvido como "informante", ou seja, sua fala jamais poderia ser usada como prova.