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Indicado por Guedes, novo ministro anunciará "grande programa" habitacional

O secretário Rogério Marinho (à esq.) e o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante audiência na comissão especial da Previdência - Renato Costa/Framephoto/Estadão Conteúdo
O secretário Rogério Marinho (à esq.) e o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante audiência na comissão especial da Previdência Imagem: Renato Costa/Framephoto/Estadão Conteúdo
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

06/02/2020 21h39

O ex-deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), embora seja um político com bom trânsito no Congresso, não foi indicado para ministro do Desenvolvimento Regional pela área política do governo.

Segundo líderes governistas ouvidos pelo blog, Rogério Marinho chegou ao novo cargo por obra e graça do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Sua nomeação, no entanto, foi bem recebida no Congresso.

Secretário especial de Previdência do Ministério da Economia, Marinho atuou como um para-raios na relação do governo com os parlamentares, especialmente com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Foi ele quem convenceu o governo a deixar que o Congresso determinasse a forma final da reforma da Previdência, desde que resultasse numa economia próxima aos valores estabelecidos pelo ministro Paulo Guedes.

Acabou se tornando uma espécie de coordenador político do Ministério da Economia —e até do Planalto para assuntos econômicos.

Em meio aos embates entre o Centrão e o governo em torno do atraso e do não cumprimento de promessas na liberação de emendas orçamentárias, Marinho acabou sofrendo desgaste junto aos líderes do PP, DEM, PL e Solidariedade, especialmente na Câmara.

Mas voltou-se para o Senado na fase final de tramitação da reforma previdenciária e da votação da Lei Orçamentária. Acabou conquistando a simpatia dos senadores governistas.

A estes, já confidenciou alguns projetos como ministro. O principal deles é reativar a construção civil, para a criação de novos empregos, especialmente no Nordeste.

Para isso, Rogério Marinho pretende anunciar o que chama de "um grande e novo programa" de habitação popular.

Na prática seria uma retomada do Minha Casa Minha Vida. Mas há dúvidas quanto à manutenção do nome. O governo Bolsonaro quer se livrar de marcos da administração petista que ainda tenham peso na opinião pública.

Se conseguir estabelecer um grande programa de geração de empregos, tentará refazer a imagem de vilão da classe trabalhadora. Um carimbo explorado por seus opositores desde quando ele atuou como relator do projeto de reforma trabalhista aprovado no governo de Michel Temer.

A autoria do texto final acabou impedindo que Rogério Marinho fosse reeleito deputado em 2018. Mas lhe valeu o convite para integrar o governo Bolsonaro.