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Políticos bolsonaristas contra isolamento são os mais influentes nas redes

Eduardo Bolsonaro discursa na tribuna da Câmara cercado por deputadas bolsonaristas - Luís Macedo/Agência Câmara
Eduardo Bolsonaro discursa na tribuna da Câmara cercado por deputadas bolsonaristas Imagem: Luís Macedo/Agência Câmara
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

16/04/2020 04h00

Nem o crescimento da popularidade do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e nem a polêmica em torno da política de isolamento social foram capazes de abalar a influência de políticos bolsonaristas nas redes sociais.

Nem mesmo o aparecimento das primeiras mortes causadas pelo coronavírus, ocorridas em março, tirou a liderança dos bolsonaristas nas redes sociais naquele mês.

Levantamento divulgado agora pelo FSBinfluênciaCongresso mostrou que o partido com maior número de deputados entre os 20 mais influentes é o PSL. O partido tem seis entre os 20 mais influentes. Antiga legenda do presidente Jair Bolsonaro, o PSL ainda abriga a maior concentração de bolsonaristas na Câmara.

Em fevereiro, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) figurou como a mais influente. Agora em março, ela foi ultrapassada por um integrante do mesmo partido ainda mais radicalmente contrário à política de isolamento social.

A primeira posição ficou com o deputado Eduardo Bolsonaro (SP), filho do presidente da República, Jair Bolsonaro.

Ranking da influência de parlamentares nas redes sociais - FSBinfluênciaCongresso - FSBinfluênciaCongresso
Imagem: FSBinfluênciaCongresso

A terceira colocada foi outra bolsonarista radical, também contrária à política de distanciamento social do ministro da Saúde: a deputada Bia Kicis (PSL-DF).

O FSBinfluênciaCongresso explica que monitorou as publicações dos deputados federais e senadores de 1º a 31 de março:

"O monitoramento é 24x7, capturando e analisando o grau de engajamento de todas as publicações feitas pelos parlamentares no Facebook (apenas páginas públicas), no Instagram (apenas contas business) e no Twitter. Para se calcular a nota de cada parlamentar e construir o ranking, são levados em consideração o número de seguidores, a quantidade de publicações, o alcance das publicações e o engajamento (curtidas, comentários e compartilhamentos) em cada rede social. São aplicados pesos diferentes a cada item, assim como para cada uma das três redes sociais analisadas."

A Câmara dos deputados teve 17 dos 20 parlamentares mais influentes, segundo o levantamento. O Senado, apenas três.

As redes sociais são um campo fértil para a polarização, o que também explica um partido menor ainda e mais à esquerda, o Psol, conquistar o segundo lugar em número de parlamentares entre os 20 mais influentes: três deputados da sigla.

A metodologia do FSBinfluênciaCongresso atribui uma nota que pode variar de 0 a 100 para cada parlamentar e também para cada legenda (no agregado dos parlamentares).

Em número de postagens feitas no Facebook, Twitter e Instagram, o PT segue como o partido mais ativo. Isso faz com que, na nota por partido, ele passe à frente do PSol para o segundo lugar, atrás do PSL.

Ranking da influência dos partidos nas redes sociais - FSBinfluênciaCongresso - FSBinfluênciaCongresso
Imagem: FSBinfluênciaCongresso

O resultado do estudo mostra que o índice de influência nas redes sociais não caminha a par e passo com os levantamentos de popularidade e mesmo de intenção de voto.

Na verdade, às vezes seguem em sentidos contrários.

Com suas posições hostis ao ministro Mandetta e às normas defendidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Bolsonaro conseguiu despertar a oposição adormecida nas ruas, perdeu pontos nas pesquisas de opinião e ganhou panelaços de protestos pelo país.

Mas a agressividade do discurso de seus seguidores se encaixa mais adequadamente à narrativa das redes sociais, o que explica o melhor posicionamento dos parlamentares bolsonaristas nesse ambiente.

Clique neste link e acesse o estudo completo:

https://www.dropbox.com/preview/FSBinflu%C3%AAnciaCongresso%20(MAR%C3%87O%202020).pdf?role=personal