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Tales Faria

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

PSD quer uma mulher como Luiza Trajano para vice de Rodrigo Pacheco

Luiza Trajano no evento Mulheres Pós-2020 - Reprodução
Luiza Trajano no evento Mulheres Pós-2020 Imagem: Reprodução
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

04/11/2021 04h00

A coluna procurou o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, para saber se há chances de uma aliança entre o pré-candidato de seu partido ao Planalto, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), e o ex-juiz Sérgio Moro, que está se filiando ao Podemos para também concorrer ao Planalto.

Kassab respondeu que não vê "muitas chances". Segundo ele, primeiro porque o PSD não abrirá mão de Pacheco como cabeça da chapa, e isso afastaria Moro da conversa. Mas há um motivo mais forte:

"Desejamos para vice de Pacheco uma mulher. De preferência, uma empresária vitoriosa, que não possa ser tachada de esquerdista, nem de direita."

"O senhor está falando da Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza?"

Kassab respondeu apenas que "esta aí é o sonho dourado de todos os candidatos". Mas não confirmou, nem negou que era exatamente de Luiza Trajano que falava.

"E quanto à filiação do apresentador Datena ao PSD? Ele não pode acabar tomando o lugar de Pacheco na chapa presidencial?"

De forma alguma, disse Kassab. Segundo o presidente do PSD, Datena formará uma chapa forte em São Paulo. "Vai somar, dar mais corpo" em São Paulo à candidatura de Pacheco a presidente da República.

Muito provavelmente a chapa do PSD terá o ex-governador Geraldo Alckimin como candidato ao Palácio dos Bandeirantes, após a filiação do tucano à legenda. No PSDB, Alckmin não tem como tomar a vaga de candidato do atual vice-governador, Rodrigo Garcia, que é o preferido do governador João Doria. "O PSD está aberto para o Alckmin e ele sabe disso", argumenta Kassab.

Em outras palavras: Datena entra no PSD em um movimento estudado para concorrer ao Senado por São Paulo, na chapa de Alckmin.

O apresentador chegou a ser anunciado pelo PSL como um possível candidato a presidente, mas acabou desistindo, especialmente após a fusão do Democratas com o PSL. Se permanecesse no União Brasil, Datena corria o risco de acabar ficando sem a candidatura presidencial e ainda perder a vaga para o Senado.

O PSD sonha alto. Avalia ter um candidato em condições de se tornar o nome da chamada "Terceira Via" na eleição presidencial; formar chapas razoavelmente fortes para senadores e governadores, como em São Paulo; além de já deter a segunda maior bancada no Senado Federal e dividir com o poderoso PP a terceira colocação entre as bancadas da Câmara.

Uma coisa é certa, Kassab está sendo extremamente habilidoso na preparação para 2022. Mas, parafraseando aquele comentarista, esportivo: política é uma caixinha de surpresas. Até 2022, tudo pode acontecer.