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Tales Faria

REPORTAGEM

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TCU espera saída de relator para discutir cartão corporativo de Bolsonaro

Ministro Raimundo Carreiro, do TCU, será embaixador em Portugal - Agência Senado
Ministro Raimundo Carreiro, do TCU, será embaixador em Portugal Imagem: Agência Senado
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

01/12/2021 18h47

Os ministros do Tribunal de Contas da União se livraram de um constrangimento. Convenceram o colega Raimundo Carreiro a ele próprio pedir adiamento da sessão secreta que estava marcada para esta quarta-feira. Carreiro iria apresentar seu parecer sobre as investigações em torno dos gastos com cartão corporativo do presidente Jair Bolsonaro.

O constrangimento se devia ao fato de Bolsonaro ter indicado o ministro que analisaria seus gastos para comandar a embaixada do Brasil em Portugal. Carreiro foi sabatinado e teve sua indicação aprovada pelo Senado nesta terça-feira, 30.

A auditoria foi feita pela equipe técnica do TCU. Analisou as contas do cartão corporativo no ano de 2019. Jair Bolsonaro e seus familiares gastaram mais de R$ 14,8 milhões.

A sessão desta quarta-feira seria secreta, por sugestão do relator, que também pretendia manter sob sigilo o acórdão com a decisão do tribunal. Ou seja, teríamos uma investigação envolvendo gastos pessoais do presidente relatada por um ministro premiado pelo próprio Bolsonaro como embaixador em Portugal.

O constrangimento entre os ministros do TCU aumentou depois que o deputado Elias Vaz (PSB-GO), integrante da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados, havia apresentado ao tribunal um pedido de suspeição do relator. A relatoria deste pedido recaiu sobre o ministro Bruno Dantas. Como o TCU nunca declarou um ministro suspeito, os colegas de Carreiro pediram para ele pedir o adiamento da sessão e evitar mais constrangimentos.

A ideia da presidente do Tribunal, Ana Arraes, é pautar a nova sessão para depois da saída de Carreiro, quando será designado um relator substituto para o processo.