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Tales Faria

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Assédios na Caixa Econômica revelam síndrome de impunidade no governo

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

29/06/2022 14h44

As acusações de assédio sexual contra o presidente da Caixa Econômica Federal, ainda precisam ser comprovadas. Mas as primeiras reações do presidente Jair Bolsonaro revelam que este governo sofre de uma doença: a síndrome da impunidade.

É um resultante da sensação dos poderosos de que podem tudo e que ficarão impunes. O exemplo vem de cima: Como no caso em que Bolsonaro, pensando que não seria punido, insinuou que uma repórter —a excelente profissional Patrícia Campos Mello— trocava sexo por informação. Graças a Deus, a Justiça acaba de condená-lo a pagar indenização. Mas o presidente é useiro e vezeiro de declarações misóginas, racistas e discriminatórias contra todos aqueles por quem não nutre simpatia.

No caso do Pedro Guimarães, Bolsonaro ainda não colocou "a cara no fogo" pelo auxiliar. Mas o que fez, nesses primeiros momentos, foi dar-lhe palanque num evento sobre o agronegócio. O presidente da Caixa levou sua mulher e teceu loas a seu próprio comportamento no governo.

Essa síndrome de impunidade se manifesta em vários setores. É ela que faz o governo desrespeitar ou tentar driblar a legislação eleitoral para distribuir benesses às vésperas das eleições ou fechar acordo com o centrão para permitir a existência de emendas secretas ao Orçamento da União e por aí a fora.

Mas como toda doença, ela é perigosa. Está levando o governo Bolsonaro a passar apuros para tentar se livrar, por exemplo, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a montagem de um gabinete paralelo no Ministério da Educação, comandado pelo ministro e gerido por pastores encarregados de distribuir verbas públicas para prefeituras em troca de propinas.