Tales Faria

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Ao ameaçar torcer pela Argentina, Bolsonaro incentiva o mau patriotismo

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse, na segunda-feira, 21, em uma videochamada ao presidente eleito da Argentina, Javier Milei, que ficou muito feliz com a vitória do ultradireitista nas eleições presidenciais daquele país.

Bolsonaro disse ter ficado tão feliz que estava "quase torcendo" pelos "hermanos" na partida em que as duas seleções se enfrentariam no dia seguinte.

A conversa valeu para o ex-presidente um convite para a sua família participar da posse em Buenos Aires, no dia 10 de dezembro.

Quanto à seleção brasileira, esta foi derrotada por 1 a 0.

"Você representa para o Brasil muita coisa e tenha certeza de que tudo o que for possível fazer por você, estarei à disposição. [...]Estou quase torcendo para a Argentina na próxima 3ª feira [21.nov.2023] contra o Brasil", disse o ex-presidente presidente brasileiro ao recém eleito na Argentina.

A declaração é um incentivo ao mau patriotismo. E, se Bolsonaro de fato acabou torcendo pelos "hermanos", acabou revelando, no mínimo, que tem enganado seus seguidores nesses anos todos.

O ex-presidente que se diz "patriota" enganou aqueles a quem também chama, de "patriotas" e que assim se denominam.

Na verdade, desde que Bolsonaro foi eleito, em 2018, estamos tendo que conviver com um novo tipo de "patriota" que joga contra o Brasil - isso mesmo: patriota entre aspas.

Esse "patriota" participa de quebra-quebra, invade o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal, o Congresso... Destrói patrimônio público, símbolos pátrios, tudo.

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Esse que se diz "patriota" é capaz até de torcer pela Argentina contra o Brasil porque não consegue conviver com a diferença em seu país.

Esse "patriota" vai aos estádios de futebol para promover pancadarias. Aliado a uma "polícia-patriota" que está acostumada a bater, espancar. Uma polícia que tem a ideologia do espancamento.

É nesse ninho de cobras que nasce o quebra-quebra entre torcidas do jogo entre Brasil e Argentina.

É preciso dar um freio nesses falsos patriotas.

Assim como é preciso dar um basta nos maus organizadores de grandes eventos. Estes últimos são tão responsáveis pela bagunça ocorrida no Maracanã quanto os "patriotas" do ex-presidentes.

Os maus organizadores deixaram as duas torcidas se misturarem num jogo que — se sabia de antemão — daria problemas. Assim como aqueles maus organizadores do evento da cantora Taylor Swift em que morreu uma menina devido ao calor e à falta de água.

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Os organizadores do mega show sequer pagaram o translado do corpo para o velório da família. Nesses casos, o Estado deveria, então, pagar. E usar sua força para cobrar dos organizadores o ressarcimento com a mão pesada da Justiça.

E aí chegamos a outros culpados: são as autoridades, que não punem exemplarmente os maus organizadores de eventos. Se fossem assim punidos, diminuiriam em muito os casos de quebra-quebra e de vítimas nos grandes eventos.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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