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Cotidiano

As reviravoltas do caso Amarildo

Silvia Izquierdo/AP
Imagem: Silvia Izquierdo/AP

Do UOL, no Rio

23/06/2015 16h09

O ajudante de pedreiro Amarildo de Souza desapareceu após ser abordado por policiais militares da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha, favela situada na zona sul do Rio de Janeiro, na noite do dia 14 de julho de 2013. O mistério em torno de seu paradeiro deu origem à pergunta que se converteu em bandeira das manifestações de 2013: "Cadê o Amarildo?". Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público, 25 PMs foram responsáveis por torturar e assassinar Amarildo, além de ocultar o seu corpo. 

Após quase dois anos, o caso continua a ter reviravoltas. Na segunda-feira (22), imagens de câmeras de segurança obtidas pelo Ministério Público e divulgadas pelo "Jornal Nacional", da "TV Globo", mostraram que quatro caminhonetes do Bope, a tropa de elite da PM, foram até a comunidade na noite em que Amarildo foi visto pela última vez. O MP está investigando se um desses veículos, cujo aparelho de GPS estava desligado, transportava ou não o corpo da vítima enrolado em um saco preto, conforme sugere a análise pericial das imagens registradas pelas câmeras de segurança.

Confira reviravoltas do caso Amarildo

  • Imagens de câmera contestam versão de PMs

    Em agosto de 2013, quase um mês após o sumiço de Amarildo, análise das imagens da câmera instalada próxima à base da UPP da Rocinha deixou claro que a vítima não fez o caminho que os PMs haviam apontado em depoimento, após deixar a base da UPP. Foi a primeira vez que uma prova material trouxe à tona contradições nos depoimentos dos policiais. Leia mais

  • Delegado pede prisão da mulher de Amarildo

    O delegado Ruchester Marreiros, da 15ª DP (Gávea), pediu a prisão preventiva de Elizabete Gomes da Silva, mulher do ajudante de pedreiro. Ele afirmava serviços para o tráfico, como guardar material para traficantes em casa e avisar sobre a chegada da polícia. O delegado chegou a firmar que tinha "absoluta convicção" de que Bete trabalhava para o crime organizado, mas o pedido de prisão foi desconsiderado por falta de provas. Leia mais

  • Trajeto do carro da PM que levou Amarildo é divulgado

    Em agosto, a Secretaria de Segurança Pública admitiu pela primeira vez que o veículo policial que levou o pedreiro possuía um dispositivo, acoplado ao rádio de comunicação, que permitia saber o trajeto feito pelos policiais. Durante a investigação, a Polícia Civil havia constatado que o rastreador do carro não estava funcionando. Os PMs percorreram um trajeto monitorado por pelo menos oito câmeras até a estrada da Gávea, caminho para um dos acessos à comunidade. Leia mais

  • Testemunha diz ter sido coagida por major a culpar traficante

    Duas pessoas afirmaram à Polícia Civil que uma delas foi coagida pelo ex-comandante da UPP da Rocinha, major Edson Santos (foto), a prestar falso depoimento na investigação do caso. O oficial teria obrigado uma mulher a dizer ao Ministério Público que o traficante de drogas conhecido como Catatau era o responsável pela morte de Amarildo. Por ordem do major, ela também teria inventado que o pedreiro era vinculado ao tráfico. As duas entraram no programa de proteção à testemunha. Leia mais

  • PMs do caso podem ter torturado mais 22 pessoas na Rocinha

    De acordo com o delegado que chefiou a investigação do caso Amarildo, Rivaldo Barbosa, titular da DH (Divisão de Homicídios), os dez PMs indiciados pela Polícia Civil pelo sumiço e morte da vítima podem estar envolvidos em outros 22 casos de tortura na favela da Rocinha. Segundos relatos de testemunhas que depuseram à Polícia Civil, eram utilizados mecanismos de tortura como asfixia, choque e até ingestão de cera líquida. Leia mais

  • PM se passou por traficante em telefonema sobre Amarildo

    A perícia de voz realizada em um telefonema que supostamente teria sido feito por um traficante da favela da Rocinha, conhecido como Catatau, no qual ele assumia a autoria da morte de Amarildo, mostrou que o soldado Marlon Campos Reis, um dos 25 réus no processo, forjou a ligação e se fez passar pelo criminoso. Além dos crimes de tortura seguida de morte, formação de quadrilha e ocultação de cadáver, ele foi denunciado por fraude processual. Leia mais

  • MP denuncia 15 PMs além dos dez indiciados pela polícia

    Em outubro de 2013, o Ministério Público denunciou 15 PMs por participação no sumiço e morte de Amarildo, além dos dez que já haviam sido indiciados pela Polícia Civil, totalizando 25 réus, no que foi considerada uma das maiores reviravoltas do caso. Todos foram denunciados por tortura seguida de morte, 17 por ocultação de cadáver, 13 por formação de quadrilha e quatro por fraude processual. A denúncia do MP, à época, elucidava diversos pontos deixados em aberto pela Polícia Civil e trazia depoimentos que detalhavam a tortura à qual Amarildo teria sido submetido. Leia mais

  • Família de Amarildo decide internar viúva em clínica

    A mulher de Amarildo, Elizabete Gomes da Silva, voltou a usar drogas e consumir álcool um mês após o desaparecimento do marido, de acordo com o advogado que representa a família, João Tancredo. Bete, como é chamada na comunidade, chegou a desaparecer por alguns dias, mas foi localizada em uma casa em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Em dezembro de 2013, a família decidiu interná-la em uma clínica de reabilitação. Leia mais

  • Bope pode estar envolvido no sumiço de Amarildo

    Imagens de câmeras instaladas na favela da Rocinha mostram que um carro do Bope (Batalhão de Operações Especiais) transportava volume suspeito enrolado em um saco preto, que, segundo análise pericial do Ministério Público, pode ser o corpo de Amarildo. Além disso, o GPS do veículo ficou quase uma hora sem funcionar. O MP e a Corregedoria da Polícia Militar investigam a possibilidade de envolvimento da tropa de elite da corporação no sumiço do corpo e morte da vítima. Leia mais

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