Fenômeno geológico racha rua e atinge seis casas em Lapão

Manuela Martinez
Especial para o UOL
Em Salvador (BA)

Um fenômeno geológico despertou a curiosidade dos cerca de 25 mil habitantes de Lapão, a 492 km de Salvador, Bahia, que é erguida sobre um relevo calcário: há duas semanas, rachaduras que chegam a 20 centímetros de largura e pelo menos um metro de profundidade em alguns pontos apareceram em toda a extensão de uma rua do Loteamento Ida Cardoso (periferia). Seis casas, localizadas na mesma rua, também apresentaram rachaduras nas paredes e tetos.
  • Fernando Vivas/Agência A Tarde/AE

    Rachaduras chegam a 20 centímetros de largura e pelo menos um metro de profundidade


Especialistas da CBPM (Companhia Baiana de Pesquisa Mineral) e da Defesa Civil, que estão no município para avaliar as causas do problema, solicitaram nesta quinta-feira (16) um levantamento geofísico de toda a área atingida pelas "fendas". "Existe a possibilidade de haver vários rios subterrâneos nesta região", disse Ernesto Alves, gerente da CBPM. De acordo com os técnicos, a erosão provocada pela água destes rios pode ter contribuído para uma reacomodação rochosa.

Apesar das rachaduras, os técnicos da Defesa Civil não interditaram as casas atingidas pelo fenômeno geológico. "Antes de tomarmos qualquer decisão, vamos aguardar um parecer técnico do Instituto de Pesquisa Tecnológica de São Paulo", afirmou o secretário de meio ambiente de Lapão, Ednaldo Campos. No entanto, com medo de uma tragédia, todos os moradores deixaram as suas residências e estão alojados provisoriamente em casas de parentes.

Os primeiros sinais das rachaduras foram detectados na "Gruta do Lapão", um dos locais turísticos mais visitados da cidade. "A partir daí, a cada dia o tamanho e a profundidade da fenda foram aumentando gradativamente, até atingir as casas", acrescentou o secretário. A partir daí, centenas de moradores da região foram até Lapão para ver a "rua rachada". "O movimento cresceu muito nos últimos dias por causa deste problema. Agora, em média, estou servindo 50 refeições por dia", disse Fernando Soares, gerente de um pequeno estabelecimento comercial na cidade. De acordo com ele, antes das rachaduras aparecerem, o número de refeições por dia não passava de 15.

"Nunca tinha visto um negócio deste tipo. A gente vê na televisão rachaduras provocadas por terremotos, mas, assim, do nada, para mim é novidade", afirmou o estudante Juarez Santana Oliveira, que foi de Irecê (BA) até Lapão no último final de semana apenas para observar o "fenômeno da natureza".

A agricultora Marilda Santos disse que o prejuízo causado pelas fendas foi muito grande para os moradores que tiveram as suas casas atingidas. "Um amigo meu recebeu uma oferta de R$ 10 mil pela casa, mas, agora, ninguém quer pagar nada." Segundo ela, uma obra realizada pela prefeitura para melhorar a infra-estrutura da cidade teria provocado as fendas. "Os funcionários da prefeitura usaram explosivos para instalar alguns canos de esgoto."

O secretário Ednaldo Campos disse que o trabalho executado pelo município não tem nenhuma relação com as rachaduras. "Tudo foi projetado e supervisionado. Antes do laudo oficial, tudo é suposição."

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