Desabrigados pelas chuvas em São Luís aguardam resposta da prefeitura sobre bolsa-aluguel

Francisco Júnior*
Especial para o UOL Notícias
Em São Luís

Em Salina Sacavem, na periferia de São Luís, os moradores desabrigados aguardam ansiosamente uma resposta da prefeitura para saber para onde vão, após terem perdido suas casas em razão das chuvas que atingem o Maranhão nas últimas semanas. Segundo a Defesa Civil, o bairro é o que oferece o maior risco aos moradores nos dias de chuva na cidade.

Desde ontem, por meio do "aluguel social", a prefeitura tem feito a transferência dos desabrigados para casas cujo aluguel será custeado pelo município. Até o momento, dados da Defesa Civil apontam um contingente de aproximadamente 1.200 desalojados somente em São Luís, e não se sabe quando o benefício da prefeitura chegará a todos.

Há quase um mês, o galpão da associação comunitária de Salina Sacavem é a casa temporária do pedreiro Raimundo Rodrigues, 42, da sua esposa, Delice Dias Souza, 27, e dos três filhos do casal. Nesta quarta-feira (6), eles aguardavam notícias sobre o "aluguel social".

"Estamos aqui na espera de receber esta ajuda. Outras famílias já conseguiram ir para uma casa segura, com aluguel pago pela prefeitura. Tomara que chegue a nossa vez", diz Delice Dias.
  • Wellington Macedo/AE

    Imediações da biblioteca pública Lustosa da Costa e do museu Madi, submersos pela água das chuvas que atingem Sobral, no Ceará, nesta quarta


O bairro possui ruas estreitas, onde o esgoto corre a céu aberto e boa parte das casas é construída em encostas de morros, o que aumenta a possibilidade de tragédias como a registrada no mês passado, quando um deslizamento de terra soterrou duas pessoas.

A maioria dos moradores de Salina Sacavem nasceu no interior do Estado e migrou para a capital em busca de melhores condições de vida, em um processo que se repete em todas as capitais nordestinas. O pedreiro Raimundo e sua família vieram do município de Codó, distante 306 km de São Luís, e por falta de opção, foram morar no bairro.

"Chegamos aqui e tivemos que morar em uma casa onde não dá pra ficar dentro quando chove. Agora vamos continuar aqui, nesse abrigo, esperando a coisa melhorar", afirma.

Ao contrário dos últimos dias, hoje o sol esteve presente até o final da tarde na cidade, o que facilitou o trabalho de remoção dos atingidos pelas chuvas, que além da capital maranhense, provoca estragos em todo o Estado. Os problemas trazidos pelas chuvas levaram o prefeito João Castelo (PSDB) a decretar estado de emergência em São Luís por um período de 180 dias.

VEJA A SITUAÇÃO DAS CHUVAS NOS ESTADOS


Maranhão confirma a oitava morte
O Maranhão confirmou em boletim da Defesa Civil de hoje a oitava morte provocada pelas fortes chuvas que atingem o Estado nas últimas semanas. O corpo da última vítima foi localizado na noite de ontem (5). Ainda segundo o boletim da Defesa Civil, o Maranhão registra 155.823 pessoas afetadas de alguma maneira pelas chuvas.

Segundo a Defesa Civil do Estado, o rio Mearim, que corta grande parte do Estado, está 14,5 metros acima do nível normal em alguns pontos, deixando 31.715 pessoas desalojadas (aquelas podem contar com a ajuda de parentes e conhecidos) e outras 24.083 desabrigadas (que estão alojadas em abrigos públicos). Ao todo, 61 municípios já decretaram situação de emergência e 58 pedidos já foram homologados pelo governo, de acordo com a Defesa Civil.

O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) informou que havia previsão de novos temporais nas regiões Norte e Nordeste do país nesta quarta-feira.

Enquanto nessas regiões a previsão é de temporais, o Sul do país sofre com a seca. No Rio Grande do Sul, já há 172 municípios em estado de emergência devido à estiagem.

A ocorrência simultânea do fenômeno La Niña e da zona de convergência intertropical (ZCIT) no hemisfério sul é a causa do excesso de chuvas nessas regiões e da estiagem no Rio Grande do Sul e, de acordo com a meteorologista Olívia Nunes, da Somar Meteorologia, a situação deve permanecer como está até o fim de maio.


Norte, Nordeste e Sul: quanto choveu e quanto se esperava, de 1/3 a 6/5; veja também os efeitos das chuvas e das secas em algumas cidades





Com reportagem do UOL Notícias em São Paulo

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