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Reunião para negociar fim da greve policial na Bahia é retomada

Janaina Garcia

Do UOL, em Salvador

08/02/2012 11h45

A greve dos policiais militares na Bahia continua sem acordo e entra hoje em seu nono dia. Os cerca de 300 grevistas seguem amotinados dentro da Assembleia Legislativa, em Salvador, e uma nova reunião com o objetivo de se chegar a uma negociação foi retomada por volta das 10h desta quarta-feira (8), segundo informações da Secretaria de Comunicação do governo estadual.

Não houve registro de confrontos durante a madrugada, mas o efeito das forças federais foi reforçado na manhã de hoje.

Após cerca de sete horas de negociação, um encontro realizado ontem entre representantes de associações de policiais, da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) --mediado pelo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, dom Murilo Kriger-- terminou sem sucesso. Uma contraproposta dos manifestantes foi levada ao governador Jaques Wagner (PT).

Além de exigir o pagamento de gratificações e a anistia de todos os grevistas, o UOL apurou que duas novas condições foram apresentadas: uma é que o pagamento de um dos benefícios seja dado integralmente neste ano, sem escalonamento, e a outra é que o líder do movimento, Marco Prisco, ex-soldado da PM e atual presidente da Associação de Policiais e Bombeiros da Bahia (Aspra), seja reintegrado à corporação. Ele foi expulso após envolvimento em uma greve ilegal em 2001, mas uma decisão de 2010 anistiou os manifestantes, e, em 26 de janeiro de 2011, o Tribunal de Justiça da Bahia determinou sua reintegração --o que o governo estadual ainda não cumpriu.

Segundo o governo, a principal reivindicação dos policiais, que era a implantação de duas gratificações (a Gratificação de Atividade Policial-GAP 4 e 5), foi concedida em forma escalonada até 2015. "Colocamos uma proposta que é o sonho dos soldados e oficiais da Polícia Militar da Bahia, que são as chamadas da GAP 4 e GAP 5. Com muito esforço orçamentário, ofereci entre 2012 e 2015 o atingimento no contracheque dessas duas gratificações", disse o governador Jaques Wagner (PT) a GloboNews após o fim da reunião.

O impasse sobre a anistia aos grevistas continua. Enquanto os grevistas não abrem mão desse ponto, o governador reiterou que os policiais envolvidos em "casos de vandalismo" serão punidos. "Os policiais que participaram legalmente, dentro das regras, pacificamente do processo reivindicatório, não têm com o que se preocupar. Mas todos aqueles condenados pela sociedade baiana que depredaram, quebraram e intimidaram a população devem ser investigados. Não há como falar em perdão quando se fala em atos de vandalismo”.

O governador reiterou que a programação de Carnaval está mantida e começa na próxima terça-feira (14).

Mais uma associação ameaça greve

Mais uma associação de policiais militares da Bahia ameaça entrar em greve a partir de hoje, após o fracasso das duas rodadas de negociações com o governo. Segundo a Associações de Policias Militares da Bahia (AOPMBA), cerca de 1.600 militares poderão se juntar ao movimento grevista iniciado na semana passada se o governo não voltar atrás em suas decisões. A determinação sobre a paralisação das atividades deve ser tomada durante assembleia extraordinária.

Segundo a AOPMBA, durante a reunião, realizada ontem, a proposta apresentada pelo governo do Estado não satisfez as aspirações da categoria.

Os policiais reivindicam o pagamento da GAP 4 a partir de março de 2012 e GAP 5 em março de 2013; a não aplicação de sanções administrativa, disciplinar ou criminal, aos participantes do movimento paredista, que não tenham sido flagrados praticando atos contrários à leia e a ordem; garantia do cumprimento das prisões preventivas nas unidades prisionais do Estado, preferencialmente em presídio militar; e criação da mesa de negociação para o estudo dos demais itens, estabelecendo prazo para execução, com a seguinte composição: governo do Estado, Comando Geral da PM e entidades representativas.

Entenda a greve

A greve na Bahia foi deflagrada na terça-feira, dia 31 de janeiro, por parte da categoria, liderada pela Associação de Policiais e Bombeiros da Bahia (Aspra). Doze mandados de prisão foram expedidos contra policiais militares que lideram o movimento, considerado ilegal pela Justiça. As prisões foram decretadas pela juíza Janete Fadul. Todos são acusados de formação de quadrilha e roubo de patrimônio público (carros da corporação). Além dos crimes, os policiais vão passar por um processo administrativo. Dois já foram presos.

Cerca de 300 policiais militares estão amotinados dentro da Assembleia Legislativa em Salvador, cercados pelas forças federais, que negociam o fim da greve. Na segunda-feira, soldados lançaram bombas de efeito moral e dispararam balas de borracha contra policias grevistas que estavam do lado de fora e que tentavam entrar no local.

De acordo com o líder do movimento, os grevistas não vão deixar a Assembleia até que sejam revogados os pedidos de prisão de 12 grevistas, além da concessão da anistia irrestrita para os grevistas e o pagamento de gratificações.

A paralisação gerou um aumento da violência no Estado: aulas foram canceladas, assim como shows, a Justiça teve seu trabalho suspenso e os Estados Unidos chegaram a recomendar aos norte-americanos que adiem viagens "não essenciais" ao Estado. O número de homicídios e assaltos também aumentou --até o fim de semana, as mortes já eram superiores ao dobro do registrado no mesmo período na semana anterior à greve.

(Com Agência Estado)

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