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Alckmin confirma saída de secretário de Segurança Pública de SP

O secretário da segurança de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, durante cerimônia de entrega de novas viaturas para a Rota, em 2011 - Moacyr Lopes Junior/Folhapress
O secretário da segurança de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, durante cerimônia de entrega de novas viaturas para a Rota, em 2011 Imagem: Moacyr Lopes Junior/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

21/11/2012 10h22Atualizada em 21/11/2012 14h26

O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, confirmou a saída do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, do cargo, após pedido de dispensa.  

Alckmin confirmou também que nesta quinta-feira (22) tomará posse no cargo o ex-procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo Fernando Grella Vieira. Segundo o governador, a saída de Ferreira Pinto ocorreu após um pedido do próprio.

"[Ferreira Pinto] Trabalhou com a gente durante quase sete anos, foi um bom secretário da Administração Penitenciária. Ele colocou o cargo à disposição e eu quero agradecer. Nós nomearemos hoje Fernando Grella, que tomará posse amanhã. Ele foi duas vezes procurador-geral do Estado e está preparado para trabalhar com a gente. Nós reconhecemos as dificuldades que estamos passando e vamos redobrar o trabalho", disse Alckmin a jornalistas em São Paulo. 

No início de outubro, o ex-secretário gerou polêmica ao dizer, em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo", que o número de integrantes do PCC era menor do que o informado. "A facção é bem menor do que dizem. Não chega a 30 ou 40 indivíduos que estão presos há muito tempo e se dedicam ao tráfico. Nós temos asfixiado esse tráfico com grandes prisões", declarou ele ao jornal. 

Fernando Grella Vieira cumpriu dois mandatos à frente do Ministério Público de São Paulo. Procurado pela Rádio Bandeirantes, ele confirmou a informação de que será o novo secretário de Segurança Pública do Estado, mas disse que só irá se pronunciar nesta quinta-feira, depois da posse.

Onda de violência

A troca no comando da secretaria de Segurança Pública acontece em meio a uma onda de violência no Estado. De acordo com levantamento oficial divulgado no dia 31 de outubro, a cidade de São Paulo registrou 145 homicídios no mês, um crescimento de 86% em relação ao mesmo período do ano passado, que teve 78 ocorrências.

Foi o segundo mês seguido em que a capital registrou recorde de homicídios desde que a contabilidade mensal começou, em janeiro do ano passado. Só em setembro, a capital paulista registrou 144 homicídios, número 96% maior do que o mesmo mês em 2011. 

Em setembro de 2011, o Estado de São Paulo teve uma média de 11,2 mortes por dia, enquanto a média diária de mortes em setembro de 2012 subiu para 14,2, de acordo com os números divulgado pela Secretaria de Segurança Pública.

Em resposta à onda de violência, o Governo do Estado de São Paulo e o Governo Federal fizeram um acordo para criar medidas de combate ao crime. A parceria foi feita após o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, dizer que ofereceu ajuda ao Estado para conter a violência, o que foi negado por Ferreira Pinto.

Pela parceria, foram definidas seis áreas de cooperação entre as esferas estadual e federal. Uma das principais iniciativas é a criação de uma agência para coordenar, de maneira integrada, as ações de inteligência das polícias estadual e federal no combate ao crime organizado

As outras áreas de cooperação envolvem a administração penitenciária e a transferência de presos para presídios federais, a contenção do crime organizado por ações empreendidas por vias rodoviária, marítima e aérea; o enfrentamento ao crack; cooperação das polícias científica e pericial, além da criação de um centro de comando integrado.

Violência na madrugada

Só entre a noite de terça-feira e a madrugada desta quarta, pelo menos 10 pessoas foram mortas e 13 ficaram feridas a tiros na região metropolitana de São Paulo. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) vai investigar os casos.

Entre as vítimas estão três mortos em uma chacina ocorrida em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, no final da noite. Essa é a 17ª chacina do ano na região metropolitana, aumentando para 57 o número de mortos em crimes deste tipo. Foram seis casos na capital e 11 nas demais cidades.

Com a onda de violência, o número de policiais militares mortos na capital em 2012 já chegou a 94, um salto se comparado ao do ano anterior, que teve 56 mortes de PMs.

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