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Violência em Belo Horizonte faz PM pedir que 'pais tirem filhos da rua'

Carlos Eduardo Cherem

Do UOL, em Belo Horizonte

23/06/2013 09h47

A violência na manifestação de sábado (21) em Belo Horizonte, que contou com 120.000 pessoas no entorno do Mineirão e da praça Sete, na região central da cidade, fez com que a polícia pedisse que os pais ‘tirassem os filhos da rua’.

Qual deve ser o principal tema dos próximos protestos no Brasil?

A confusão durou até o início da madrugada deste domingo (23). Durante o período de maior tensão, no qual a PM lançou bombas de efeito moral sobre o protesto no entorno da praça Sete, o major Gilmar Luciano pediu para que as famílias buscassem os jovens e os levassem embora.  “Pedimos a compreensão dos mais velhos. Que liguem para seus filhos e façam com que eles saiam das ruas e voltem para casa”, disse.

“O recado já foi dado. Agora, os que restaram nas ruas são os verdadeiros baderneiros”, afirmou o major.

Em certo momento, um grupo com cerca de 500 pessoas se envolveu em atividades de vandalismo. “Estas ações estragam uma manifestação democrática, onde as cores verde e amarela predominavam e o hino nacional foi a música mais ouvida”, segundo a PM.

A PM (Polícia Militar) neste domingo (23) novo balanço dos tumultos. De acordo com a corporação, entre 15h de sábado (22) e as 5h  de hoje, 32 pessoas foram presas por atos de vandalismo contra o patrimônio público e privado durante a manifestação.

Não foi divulgado o número exato de pessoas feridas, que é no mínimo de 20 pessoas, entre eles, sete militares, e pelo menos um membro da Força Nacional de Segurança Pública.

 

Festa verde e amarela

Cerca de 120.000 pessoas tomaram a praça Sete, no centro de Belo Horizonte, pelo sexto dia consecutivo na manhã de sábado (22), para mais uma manifestação.

Pouco antes de iniciar uma caminhada de cerca de dez quilômetros até a entrada do Mineirão – onde Japão e México se enfrentavam pela Copa das Confederações - o professor do departamento de Comunicação da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Paulo Bernardo Vaz, 60, disse que não tinha uma proposta específica. Estava ali para protestar. “Minha lista de protestos é tão grande que eu precisaria do alfabeto”, disse.

As pessoas, muitas carregando a bandeira brasileira e vestidas de amarelo, cantavam o hino nacional durante o percurso. O sol estava quente, entre 10h e 16h, e após 10 km a marcha chegou ao estádio.
O governo estadual e a PM de Minas Gerais comunicaram que o protesto não poderia se aproximar de um raio de dois quilômetros do Mineirão.

Aproximadamente metade dos manifestantes, de acordo com a PM, seguiu reto, e o resto ocupou o espaço cortado pelo viaduto José Alencar, confluência da avenida Antônio Carlos com avenida Abraão Caram.

Cerca de 20.000 pessoas tentaram forçar a entrada no perímetro determinado pelas autoridades, com gritos de “invadir” e “quebrar”. Pedras, tijolos, objetos de metal e bolinhas de gude foram arremessados contra a barreira da policia.

A PM revidou com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, lançados de dois helicópteros de apoio, além de spray pimenta e tiros de borracha disparados contra os manifestantes. 

Segundo a polícia, este grupo que tentou furar o bloqueio recuou até a praça Sete, onde começaram a vandalizar a região.

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