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Cotidiano

"Antes da UPP sumiam cem Amarildos por mês", diz Cabral

Carolina Farias

Do UOL, no Rio

07/08/2013 18h06

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), disse, durante uma cerimônia em Rio das Ostras, região dos Lagos, que antes das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) serem instaladas nas favelas, o desaparecimento de pessoas era comum. "Sabe o Amarildo, que sumiu? Antes da UPP sumiam cem Amarildos por mês", disse o governador durante solenidade de lançamento de um programa de renda para famílias pobres.

Amarildo de Souza, morador da Rocinha, da zona sul do Rio, sumiu na favela após ser abordado por policiais militares, no dia 14 de julho. A Divisão de Homicídios apura o caso e faz buscas na comunidade por pistas.
 
No evento, ocorrido da terça-feira (6), Cabral disse ainda que "antes da Rocinha, Vidigal e Alemão serem pacificados era o fuzil, arma do bandido". "Hoje é a PM presente porque nosso governo não fez acordo com bandido. A quem interessa desmoralizar a UPP, a paz e a prosperidade?", perguntou Cabral.
 
No vídeo do discurso, divulgado no Facebook, a plateia da solenidade aparece dividida entre vaias e aplausos a Cabral.

Polícia Civil busca pistas

Parte do público gritou "mentira" quando Cabral falou sobre os salários de professores. "O melhor salário do Brasil é do professor Rio de Janeiro,  que ficou 12 anos sem  reajuste".

 

Aumento de desaparecimentos

Dados do ISP (Instituto de Segurança Pública) mostram que houve aumento no número de desaparecimentos nas 18 primeiras comunidades que receberam UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), no período entre 2007 e 2012.

O levantamento feito pelo UOL tem base nas ocorrências registradas um ano antes e um ano depois das respectivas ocupações, e vai da UPP Santa Marta, inaugurada em novembro de 2008, em Botafogo, na zona sul, à UPP Mangueira, na zona norte da cidade, lançada em novembro de 2011.

Na série histórica considerada pela reportagem, os desaparecimentos notificados à Polícia Civil pularam de 87 para 133, o que representa aumento de 52,8%.

Segundo estatísticas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do IPP (Instituto Pereira Passos), as 18 favelas correspondem a uma população de quase 211 mil pessoas.

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