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Cinegrafista já ia embora de protesto quando foi atingido, diz colega

Imagens postadas por amigos nas redes sociais mostram o cinegrafista da "TV Bandeirantes" Santiago Ilídio Andrade, 49, trabalhando - Reprodução/Facebook
Imagens postadas por amigos nas redes sociais mostram o cinegrafista da "TV Bandeirantes" Santiago Ilídio Andrade, 49, trabalhando Imagem: Reprodução/Facebook

Jacyara Pianes

Do UOL, no Rio

10/02/2014 15h14Atualizada em 10/02/2014 18h27

O auxiliar de câmera Edeilton Gonçalves, amigo do cinegrafista da “TV Bandeirantes” Santiago Andrade, que teve morte encefálica diagnosticada nesta segunda-feira (10), afirmou que ele já tinha passado do horário de sair do trabalho quando foi cobrir a manifestação no centro do Rio de Janeiro, e teria dito que gravaria apenas três “takes” antes de ir embora.

Ainda de acordo com o relato de Gonçalves, a repórter que acompanha Santiago tinha ido buscar o carro para que eles fossem embora no momento em que o cinegrafista foi atingido. "Foram os três takes mais longos da vida dele", disse o auxiliar de câmera, que estava no Hospital Souza Aguiar, no centro do Rio, para prestar solidariedade à família da vítima.

Alexandre Tortoriello, repórter com quem Santiago ganhou dois prêmios em matérias sobre mobilidade urbana, se emocionou ao falar do colega. "Uma das pessoas mais fáceis de se gostar que já encontrei na minha vida", disse. O jornalista ainda afirmou que Santiago era muito cuidadoso e disposto a fazer seu trabalho bem feito.

Veja o momento em que o cinegrafista é atingido por bomba

Santiago foi atingido na cabeça quando registrava o protesto contra o aumento das passagens de ônibus na capital fluminense, na quinta-feira (6). No mesmo dia em que foi ferido, Andrade passou por uma neurocirurgia para estancar o sangramento e estabilizar a pressão intracraniana. Além do afundamento de crânio, ele perdeu parte da orelha esquerda.

Comoção

O palhaço João Cardoso foi para a porta do hospital por volta das 12h, quando soube da morte do cinegrafista. Com uma câmera e um cartaz pedindo paz, ele faz um protesto silencioso.

 

Ísis Soares, auxiliar de serviços gerais, ficou surpresa ao chegar ao hospital e saber da morte do cinegrafista. Ela pediu dispensa do trabalho hoje para doar sangue para Santiago. "Soube que ele estava precisando de sangue e vim doar", disse, já de posse do comprovante do doação.

O advogado do estudante e tatuador Fábio Raposo, 22, indiciado pelos crimes de homicídio e explosão, afirmou que já identificou o nome da pessoa que atirou o rojão e que deve entregá-lo à polícia.

"Através do Fábio localizei uma pessoa que é íntima deste rapaz e me passou a identidade e o CPF deste rapaz. A pessoa me passou e vou entregá-lo à autoridade policial", afirmou o advogado Jonas Tadeu Nunes em entrevista à "Globonews".

Apesar de não revelar nomes, ele disse que aconselhou o homem que acendeu o rojão a se apresentar ao delegado Maurício Luciano de Almeida, da 17ª Delegacia de Polícia, em São Cristóvão, zona norte. O advogado disse que o homem estaria muito abalado e que teria tentado suicídio.

No domingo (9), Nunes, afirmou ter sido contatado por telefone pela ativista Elisa Quadros Pinto Sanzi, conhecida como Sininho. Ela teria dito que o homem que acendeu o rojão era ligado ao deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que teria oferecido assistência jurídica a Raposo. A ativista negou que tenha oferecido ajuda do deputado.

PRINCIPAL SUSPEITO

  • Reprodução/TV Brasil

    Imagens da "TV Brasil" mostram um homem de camisa cinza e calça jeans correndo pela Central do Brasil. Para a Polícia Civil, ele foi o responsável por acender o rojão

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