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Movimento "Eu Não Mereço Ser Estuprada" repercute internacionalmente

Do UOL, em São Paulo

30/03/2014 11h38

Sites internacionais de notícias –como o do jornal norte-americano “The Huffington Post”, o do francês “20 minutes”, o do italiano “La Reppublica” e o do grego “iefimerida”-- divulgaram neste final de semana a campanha brasileira Eu não mereço ser estuprada, contra o abuso sexual e o machismo.

O movimento #EuNaoMereçoSerEstuprada (e suas variáveis #EuNaoMereoSerEstuprada e #EuSouMinha) começou nas redes sociais, como Facebook, Instagram, Twitter e Tumblr, após a pesquisa do Ipea (Instituto Econômico de Pesquisa Aplicada, do governo federal) indicar que 65% dos entrevistados acreditam que mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas.

A comunidade, formada assim que foi divulgado o resultado da pesquisa, na última quinta-feira (27), já tinha 35,7 mil inscritos na manhã deste domingo.

Mas, ao mesmo tempo que a campanha ajudou algumas mulheres a compartilhar que já foram vítimas e mostrou que parte da população luta contra o machismo, o sexismo e a misoginia no país, a popularidade do movimento reforçou a postura retrógrada daqueles retratados na pesquisa. Na comunidade, muitos homens estão à vontade para ridicularizar a proposta de combate ao estupro e uma das incentivadoras do movimento online recebeu ameaças de estupro após a iniciativa.

“Amanheci de uma noite conturbada. Acreditei na pesquisa do Ipea e experimentei na pele sua fúria. Homens me escreveram ameaçando me estuprar se me encontrassem na rua, mulheres escreveram desejando que eu fosse estuprada”, escreveu ela no Facebook.

No grupo, ela postou orientações aos participantes de como denunciar aqueles que têm feito comentários agressivos e que podem ser entendidos como incitadores do estupro e da violência, o que é considerado crime.

Vários internautas estão ironizando o conteúdo divulgado pelas participantes, associando feministas a mulheres indesejadas, afirmando que mulheres deveriam andar armadas para não serem violentadas e lançando provocações, como “ninguém é estuprada em casa lavando a louça” e “o feminismo acaba quando chega a conta do restaurante”.

"Mulherada, não se intimidem pelos machistas que estão bombando este evento. Se eles atacam, é porque estamos incomodando - e, afinal, não era essa a intenção?", escreveu Nana diante dos posts agressivos.

Cotidiano