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Cotidiano

Para líder de greve de ônibus no Rio, proibição judicial é "ditadura"

Gustavo Maia

Do UOL, no Rio

13/05/2014 09h18Atualizada em 13/05/2014 13h44

O líder do movimento grevista dos motoristas e cobradores de ônibus do Rio de Janeiro, Helio Theodoro, pediu desculpas pelos transtornos causados pela paralisação da categoria à população do Rio de Janeiro, "que não tem nada a ver com a história", e afirmou que "a culpa da greve é do sindicato" que representa a categoria.

Para ele, a decisão judicial que o impede, juntamente com mais três pessoas da liderança do movimento grevista, de se aproximarem de garagens, é típica de uma “ditadura”. "Vivemos num país democrático, mas isso é uma ditadura. E se eu morar perto de uma garagem, eu não posso ir pra casa?", questionou.

A Justiça do Rio determinou que quatro líderes da comissão de rodoviários que decidiu pela paralisação (Hélio Alfredo Teodoro, Maura Lúcia Gonçalves, Luís Claudio da Rocha Silva e Luiz Fernando Mariano) devem se abster de "promover, participar, incitar greve e praticar atos que impeçam o bom, adequado e contínuo funcionamento do serviço de transporte público, bem como mantenham distância das garagens das empresas consorciadas filiadas ao sindicato (Rio Ônibus)".

A juíza Andréia Florêncio Berto, que tomou a decisão no Plantão Judiciário, cita a violência praticada na paralisação do dia 9 de maio e fixa multa de R$ 10 mil por cada ato de descumprimento da decisão. O Rio Ônibus informa que vai entrar com um pedido no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) para que considere ilegal e abusivo todo o movimento grevista. Pelo menos 75 ônibus foram depredados, segundo informou o Rio Ônibus (sindicato das empresas de ônibus). A Polícia Militar informou que dez pessoas foram detidas.

Um motorista da Viação Jabour que chegou a tentar circular com um ônibus foi atacado a pedras por dois homens em uma motocicleta no Largo do Correia, em Guaratiba, na zona oeste do Rio de Janeiro.

Os trabalhadores reivindicam aumento salarial de 40% (e não os 10% acordados entre o sindicato da categoria e as empresas de ônibus), o fim da dupla função e reajuste no valor da cesta básica –de R$ 150 para R$ 400. A convocação é feita por um grupo dissidente, que não se sentiria representado pelo Sintraturb-Rio (Sindicato dos motoristas e cobradores de ônibus do Rio de Janeiro).

Transtornos

No primeiro dia das 48 horas de paralisação dos motoristas e cobradores, os passageiros que mais enfrentam transtornos são os que tentam deixar a zona oeste da cidade. Nenhum ônibus de linha municipal circulou pelo bairro de Jacarepaguá desde o início da madrugada. Nem mesmo os ônibus do tipo frescão circularam nas ruas, ao contrário da greve na semana passada, quando os coletivos circulavam com passageiros em pé.

Já a movimentação de passageiros de ônibus na região da Central do Brasil era tranquila no início da manhã. Entre as 5h45 e as 6h45, havia poucas linhas de ônibus circulando na região, geralmente abastecida por ônibus que partem de toda a cidade. Presença massiva, apenas a de veículos que fazem viagens intermunicipais, principalmente de oriundos da Baixada Fluminense.

Carona

Com a paralisação de 48 horas dos motoristas e cobradores de ônibus do Rio de Janeiro, que começou à 0h desta terça-feira (13), havia nos pontos de ônibus na região da Central do Brasil, no centro da cidade, quem esperasse caronas de colegas de trabalho, como o rádio-operador Felipe Rezende, 24. "Está impossível pegar ônibus pra Ilha do Governador, onde eu trabalho. Ontem à noite, quando saiu a notícia da greve, o pessoal do trabalho se mobilizou pra um dar carona ao outro. Vim de metrô, de Copacabana, e um colega vem me pegar aqui na Central", disse ele, minutos antes de entrar no carro do amigo.

Motoristas e cobradores fazem greve no Rio de Janeiro

A empregada doméstica Marly Nascimento, 49, que trabalha em São Conrado, na zona sul do Rio, saiu às 4h15 de casa, em Queimados, na Baixada Fluminense, e ainda esperava um ônibus na Central do Brasil às 6h30. "Já estava desistindo de ir quando um colega me ligou e disse que passaria aqui pra me dar uma carona", contou Marly.

Greves de ônibus no Rio de Janeiro

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