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Cotidiano

"Queremos a nossa fatia do bolo", diz líder do MTST após ato em SP

Vagner Magalhães

Do UOL, em São Paulo

22/05/2014 21h23

No encerramento do ato organizado pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) na noite desta quinta-feira (22) em São Paulo, Guilherme Boulos, líder do movimento, fez um discurso com críticas aos governantes e promessas de grandes manifestações durante a Copa do Mundo caso as reivindicações dos sem-teto não sejam atendidas.

“A nossa Copa já está colocada, com a [presidente] Dilma [Rousseff], o governador [Geraldo] Alckmin, com o prefeito [de São Paulo, Fernando] Haddad. No dia 12 de junho não vai ter abertura da Copa se os nossos direitos não forem garantidos. Teremos uma onda vermelha em todo o país. O que nós queremos a nossa fatia do bolo. A nossa não chegou ainda”, disse Boulos. “Esperamos as respostas e se não as tivermos São Paulo e o Brasil vão parar.”

No protesto, iniciado por volta de 18h20, os manifestantes caminharam por algumas das principais avenidas da zona oeste de São Paulo. Eles se concentraram no largo da Batata, em Pinheiros, a partir de 17h e saíram em passeata depois que a mobilização encorpou. 

O ato terminou por volta de 21h, na ponte Octavio Frias de Oliveira, conhecida como ponte Estaiada, no Brooklin. Não foram registados incidentes, como atos de vandalismo, durante o ato. Segundo policiais militares que acompanham a mobilização, cerca de 5.000 pessoas participam do ato. Já de acordo com a organização, são cerca de 15 mil ativistas. Ao todo, aproximadamente 200 policiais foram escalados para trabalhar no protesto. 

No discurso, o líder do MTST atacou as construtoras e afirmou que a Copa do Mundo é usada para iludir a população. “Nós temos uma proposta clara, e não adianta fazer Copa, jogar areia nos olhos do povo, se não tivermos garantidos os nossos direitos. Eles [governantes] achavam que nós íamos nos calar, nos esconder atrás de um jogo de futebol (...) As construtoras já ganharam muito dinheiro com essa Copa do Mundo.”
 
Os manifestantes caminharam pela avenida Brigadeiro Faria Lima, que teve o tráfego interrompido na pista sentido Moema. Por volta de 19h15, os ativistas entraram na avenida Cidade Jardim, sentido Morumbi. Às 19h30, o protesto passou a ocupar todas as faixas das pistas local e expressa da Marginal Pinheiros, uma das mais importantes vias da cidade, sentido Interlagos.
 
Às 20h15, os manifestantes chegaram até a ponte estaiada, onde Guilherme Boulos finalizou o ato com o discurso no caminhão de som.

Objetivo é pressionar o governo, diz líder do MTST

Tumulto e trânsito

Houve um princípio de tumulto quando o grupo passava pelo Shopping Iguatemi, na Faria Lima. Um manifestante e um segurança do estabelecimento se estranharam e quase chegaram às vias de fato. Integrantes do próprio movimento intervieram e acabaram com a briga. 

Por conta de um congestionamento, os manifestantes tiveram que reduzir o ritmo das passadas logo depois que cruzaram a avenida Rebouças. "A indústria automobilística chegou primeiro", brincou Guilherme Boulos, um dos líderes do MTST.

Além de famílias ligadas ao movimento que vivem em várias ocupações na Grande São Paulo, estudantes, manifestantes contrários à Copa do Mundo e movimentos sociais, como o Movimento Passe Livre, estiveram presentes.. Os manifestantes usaram um carro de som, baterias, faixas, cartazes e muitos apitos. À frente do protesto, uma faixa remeteu à Copa do Mundo. "Copa sem povo tô na rua de novo".

Sem mascarados

O perfil dos manifestantes é diferente daquele visto nos atos de junho de 2013 e do protesto realizado contra a Copa do Mundo na última quinta-feira na avenida Paulista. Em vez de manifestantes mascarados e adeptos da tática black bloc, há muitas famílias, mulheres e crianças usando roupas do MTST. Muitas bandeiras do Brasil, que não costumam ser aceitas em atos com black blocs, estão sendo hasteadas pelos ativistas.

A mobilização, batizada de "Hexa dos direitos", tem pauta ampla: políticas habitacionais, fim da especulação imobiliária, reforma agrária, melhorias na educação, construção de creches, soberania nacional durante a Copa, fim da violência policial e transporte público gratuito e de qualidade. 

As críticas dirigem-se à Fifa e às empreiteiras responsáveis por obras ligadas ao Mundial e cobram ações do governo Dilma Rousseff. O ato tem como objetivo "chamar a atenção para todos os problemas do país", segundo informaram coordenadores do MTST.

O protesto faz parte de uma série de manifestações organizadas pela Frente de Resistência Urbana, cuja coordenação é a mesma do MTST, e também tem apoio do Comitê Popular da Copa, contrário aos impactos da organização do Mundial no Brasil.]

O MTST tem sido protagonistas de uma série de protestos nas últimas três semanas. Na quinta-feira da semana passada, os sem-teto bloquearam as principais vias de todas as regiões da cidade. O ato terminou em frente ao Itaquerão, estádio do Corinthians que será palco da abertura da Copa. 

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