PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Governo age como "bombeiro louco", diz sindicato sobre demissão de grevista

Altino Prazeres, presidente do sindicato dos metroviários de São Paulo, diz que conflito vai aumentar com demissões de grevistas - Wellington Ramalhoso/UOL
Altino Prazeres, presidente do sindicato dos metroviários de São Paulo, diz que conflito vai aumentar com demissões de grevistas Imagem: Wellington Ramalhoso/UOL

Wellington Ramalhoso

Do UOL, em São Paulo

09/06/2014 09h23Atualizada em 09/06/2014 14h12

O presidente do sindicato dos metroviários de São Paulo, Altino Prazeres, disse nesta segunda-feira (9) à reportagem do UOL que ainda não foi informado oficialmente das 60 demissões confirmadas pelo secretário de Transportes do Estado, Jurandir Fernandes, em entrevista à rádio Jovem Pan. Segundo Prazeres, o governo do Estado “está atuando como ‘bombeiro louco’, botando gasolina no fogo” com as demissões.

Na manhã de hoje, o secretário Fernandes afirmou que os grevistas serão demitidos por justa causa.

“Iniciamos agora, às 8h, estamos emitindo mais ou menos 60 e poucas, seis dezenas de demissões por justa causa”, disse o secretário.

De acordo com ele, estão recebendo o comunicado de demissão aqueles contra quem “existem provas materiais” de vandalismo e de uso impróprio de equipamentos do metrô, aqueles que barraram fisicamente a entrada de passageiros ou o trabalho de funcionários e os que incitaram a população a pular as catracas.

O presidente do sindicato questiona por que essas 60 pessoas serão demitidas, já que uma boa parte da categoria participa da greve.

“Se o governo do Estado demitir gente, vai aumentar o conflito”, afirmou Prazeres.

Cerca de 250 grevistas marcharam da rua Vergueiro, na zona sul de São Paulo, até a praça da Sé, no centro da cidade, onde se juntaram a integrantes do MTST e da UGT (União Geral dos Trabalhadores), movimentos sociais que apoiam a greve.

Os grupos --totalizando 2.000 pessoas, de acordo com a PM-- decidiram seguir juntos até a Secretaria de Transportes Metropolitanos, que também fica no centro. Um caminhão de som do sindicato dos metalúrgicos de São José dos Campos deu apoio à passeata.

Uma comissão representando os grevistas tentou uma reunião com o secretário Jurandir Fernandes, mas o presidente do sindicato foi informado que Fernandes não estava no local. 

Depois disso, os grupos encerraram a manifestação e os metroviários retornaram para o sindicato da categoria, onde esperam nova rodada de negociações. Não houve registros de tumultos.

Grevistas são levados à delegacia

Após tumulto com o fechamento da rua Vergueiro por grevistas, na zona sul da capital, 13 metroviários foram levados pela PM ao 36º DP (Vila Mariana) para "averiguação", segundo o major da PM Robson Cabana.

"A delegacia de polícia é o melhor lugar para averiguar o que aconteceu", disse o major, afirmando que houve depredação de patrimônio público dentro da estação Ana Rosa e denúncia de agressão a um funcionário do Metrô que trabalhava na estação Paraíso.

Os grevistas chegaram à estação Ana Rosa às 4h, segundo o secretário-geral do sindicato dos metroviários, Alex Fernandes, e 15 eram mantidos dentro da estação pela PM desde então.

Metrô opera parcialmente, e rodízio é suspenso mais uma vez

Com a greve, o rodízio de veículos foi suspenso e algumas linhas do metrô não operam integralmente, em todas as estações:

- linha 1-azul: de Saúde à Luz

- linha 2-verde: de Ana Rosa à Vila Madalena

- linha 3-vermelha: de Penha a Marechal Deodoro

- linhas 4-amarela e 5-lilás: em operação normal

- CPTM: em operação normal

Greve é considerada abusiva, mas entra no quinto dia

O TRT (Tribunal Regional do Trabalho) considerou, neste domingo, que a greve dos metroviários é abusiva e que os grevistas desrespeitaram decisão anterior da Justiça que determinava que ao menos 70% dos profissionais trabalhassem durante a greve. Caso continuassem com o movimento, seria empregada uma multa de R$ 500 mil por dia de paralisação.

O TRT também determinou desconto nos salários dos profissionais pelos dias não trabalhados e que não há garantia de estabilidade de emprego para os grevistas. Os desembargadores definiram ainda que o reajuste salarial da categoria deve ser fixado em 8,7%, mesmo percentual oferecido pelo Metrô. Atualmente, o piso salarial dos metroviários é de R$ 1.323,55.

Apesar da decisão, a categoria decidiu em assembleia realizada ontem manter a greve.

"Estamos no nosso direito de fazer greve. A nossa arma é a greve. Oferecemos alternativas, como a catraca livre e o desconto no nosso dia de trabalho, mas nem o governo nem a Justiça aceitaram. Eles nos culpam, mas é o governo que não quer negociar", disse Raquel Amorim, agente de segurança e diretora do Sindicato dos Metroviários.

Raio-X dos Metroviários

  • 9.475 funcionários

    3.136 operadores, 1.206 manutenção, 1.147 seguranças, 1.016 técnicos

  • Piso

    R$ 1.323,55

  • Orçamento do sindicato

    R$ 5,5 milhões/ano

  • Data-base

    1º de maio

Negociações

  • Reivindicação dos metroviários

    12,2%, reivindicação anterior era de 16,5%

  • Proposta do governo do Estado

    8,7%, proposta anterior era de 7,8%

  • Decisão da Justiça

    8,7% foi o percentual decidido pelo TRT

  • Último reajuste concedido

    8%, ante INPC de 7,2%, no ano passado

Histórico de greves no metrô

  • 23.mai.2012

  • 2 e 3.ago.2007

  • 14.jun.2007

  • 15.ago.2006

  • 17 e 18.jun.2003

  • 25 e 26.jun.2001

  • 2.jun.2000

  • 9.dez.1999

  • 24.nov.1999

Cotidiano