No Rio, cartilhas em mandarim vão orientar chineses contra trabalho escravo

Do UOL, no Rio

O MPT (Ministério Púlico do Trabalho) e o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) vão produzir cartilhas educativas em mandarim para evitar que imigrantes chineses trabalhem em situação análoga à escravidão nas pastelarias no Rio de Janeiro. Como não sabem falar português ou conhecem pouco o idioma, as vítimas têm dificuldade para denunciar os crimes.

Segundo o MPT, orientar os chineses é uma etapa fundamental para combater casos como o do resgate, ocorrido na última terça-feira (14), de três jovens chineses que eram explorados em uma pastelaria em Copacabana, na zona sul da capital fluminense.

Os jovens, que não tinham carteira de trabalho, atuavam sem registro e sem descanso semanal, além de terem os salários retidos. Em depoimento, eles contaram que deveriam receber um salário de R$ 1.000. No entanto, o valor era retido pelos patrões, também chineses.

O material que será confeccionado pelo MPT e pelo MTE terá explicações sobre os direitos trabalhistas em vigor no país e será entregue aos chineses no aeroporto, assim que eles chegarem ao Brasil. O MPT informou que não há um prazo determinado para que os folhetos sejam distribuídos.

"Eles vêm atraídos por falsas promessas de bom trabalho e salário, mas, chegando no local, acabam trabalhando em jornada exaustiva, sem recebimento de salários e direitos trabalhistas e ainda têm o passaporte retido", destacou a procuradora do trabalho Guadalupe Couto.

Investigação

O esquema de exploração de imigrantes chineses começou a ser investigado em 2013, quando vizinhos ouviram gritos vindos de uma pastelaria situada em Parada de Lucas, na zona norte, e resolveram chamar a polícia.

O Ministério Público do Trabalhou identificou ainda outras quatro vítimas em mais duas pastelarias do Rio. Três delas trabalhavam em Copacabana, na zona sul, e foram registradas pelo estabelecimento após um acordo.

As investigações para identificar outros envolvidos prosseguem em dois inquéritos abertos no Ministério Público do Trabalho, e a procuradora Guadalupe Couto pede que a população colabore fazendo denúncias contra o esquema pelo número 0800-0221-331.

Casos de trabalho escravo no Brasil
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